Tuesday, 5 March 2013

Clóvis Huguiney Irigaray [Pintor Brasileiro]

revista biografia
http://sociedadedospoetasamigos.blogspot.com.br/2012/03/clovis-huguiney-irigaray-pintor.html


Clóvis Huguiney Irigaray [Pintor Brasileiro]

Clóvis Huguiney Irigaray, o Clovito, como é carinhosamente chamado, nasceu em 1949, na cidade de Alto Araguaia. Manifestou vocação para o desenho muito cedo, segundo o artista a mãe também tinha facilidade para desenhar. Já no ginásio, em sua cidade natal, obteve o prêmio em concurso de alunos, com “Retrato de Cristo” (1963). Dá inicio à sua carreira em 1968 com a Exposição “Cinco artistas de Mato Grosso”, na galeria do Cine Bela Artes de São Paulo e XXIII Salão Municipal de Belo Horizonte (MG) e diversos outros. Em 1974 participa da Bienal Nacional de São Paulo, e em 1975, além de participar da versão XXIV do salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro, ganha prêmio aquisição no VI salão Paulista de Arte Contemporânea.
Clovito é um dos artistas que mais representa a gênese da pintura moderna em Mato Grosso, ao lado de Humberto Espíndola, João Sebastião, e Dalva de Barros. É por sugestão de Espíndola, que começa a pintar os índios. O índio, segundo Irigaray, é sua grande descoberta e a realização de sua natureza.
Irigaray também desenvolveu em Cuiabá atividades no Museu de Arte e Cultura da UFMT, e em 1975, dá início a sua fase indigenista, através de um enfoque hiper-realista. Desse período para cá diversas exposições, e prêmios em salões.


Entre eles, destacam-se: Galeria de Belas Artes - SP, XXIV Salão de Artes Modernas - RJ, VI Salão Paulista de Arte Contemporânea - SP, Belo Horizonte - MG, Vitória - ES, Rio de Janeiro - RJ, Goiânia - GO, Campo Grande - MS e Cuiabá - MT.



Clóvis Irigaray teve segundo Camol D'Évora, "o melhor trabalho indiscutivelmente, na opinião dos jurados. Sua arte contemporânea cheia de expressividade, sem tendência específica, que não se enquadra em nenhuma classificação, seduziu o júri. (...)"
(Camol D'Évora, 1.996. 
Por ocasião da XVI Interart  
em Presidente Prudente, onde o 
artista conquistou o grande prêmio.)

Participações Especiais:

• 1.995 - Júri do III Salão da Primavera em Cuiabá - MT
• 1.997 - Júri do V Salão da Primavera em Cuiabá - MT
• 1.997 - Júri do III Salão de Arte Moderna de Mato Grosso - Cuiabá - MT

O artista possui obras na Pinacoteca da Fundação Cultural de Mato Grosso e no Museu de Arte e Cultura popular da UFMT.


Críticas da Obra de Irigaray

"(...) Esse jovem de 27 anos de idade, tem, realmente, um bom desenho figurativo realístico que, monumentalizado, adquire um novo interesse, inserindo-se na corrente atual denominada hiper-realismo. (...)"
(Frederico de Moraes, 1.975, 
(Por ocasião do Salão Nacional de Arte Moderna)

"(...) Clóvis faz introspecções. É um rapaz triste. Sozinho. Utópico, que visualiza um mundo diferente, onde deseja que o índio seja respeitado. Anima-o o índio santo. O índio, imperador. O índio empresário de Coca-cola. O índio, Todo-Poderoso dos meios de comunicação. O índio, astromauta. (...)".
(Ernistina Karmam, 1.975, 
Folha da Tarde, SP_SP)
Autor da antológica série de desenhos Xinguana, Clóvis Irigaray se tornou um dos maiores artistas brasileiros. Na década de setenta, ele insere o Índio em ambientes da então “sociedade civilizada”. A aculturação é o tema central. Utopia e humor mostram toda a modernidade de seus desenhos hiper-realistas.
(Mirian Botelho)

Precursor da modernidade das artes plásticas no Estado, Irigaray é o avesso do avesso, e a sua irreverência é notada, principalmente, na sua forma de ser. Tanto que assimilou aos poucos os elementos simbólicos das culturas indígenas, sem nunca ter visitado nenhuma aldeia.
A influência é tão forte que passou a registrá-la em seu corpo. E a “reproduzir” o índio com uma fidelidade quase fotográfica, e a inserir as imagens na sociedade de consumo, ora transveste de general, astronauta, empresário, atleta, e professor. Consegue criar um cenário ilusório e real, “quase real”. Mas o que é real em arte?
(Serafim Bertolo)

Alguns trabalhos de Clovito

Jesus Cristo. 65x95. Giz pastel sobre schüller_1988.



Índia amamentando, 70x100, Técnica Mista (AOST), 1996.
Pequeno Índio e Girassóis. 80x60. AST_2000.
                                                 
   Cristo. 62x72
                                              

Encontro. 100x100. AST_1996.
                                               


Sagrado coração do Xingu II. 50x70. AST.
                                  
Madona Rosa. 0,60mx0,80m_O.S.T
São Luiz Gonzaga Xingú. 0,90m x 1,00m_O.S.T
Negro Índio. 50x70_AST.
                                                      
A criação do Índio. OST.

  São Sebastião e Menino Jesus. 70x90_AST

Gioconda. 68x78. AST_1996.
Juris Lex. 1,00mx1,00m_O.S.T

Fonte de pesquisa:
Diário de Cuiabá por Miriam Botelho



Clóvis Huguiney Irigaray 
Todos os direitos autorais são reservados ao autor

Sunday, 3 March 2013

Primavera árabe: ‘Há que se passar pela experiência do islamismo no poder’

carta maior
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21681&boletim_id=1553&componente_id=26599


Primavera árabe: ‘Há que se passar pela experiência do islamismo no poder’

Nesta entrevista ao ‘Le Monde’, o destacado analista libanês Gilbert Achcar comenta as dificuldades dos governos islâmicos que subiram ao poder no mundo árabe. Além disso, diz que a Turquia não é uma referência para esses países, pois lá o AKP turco se reconciliou com o laicismo, tornando-se a versão islâmica da democracia cristã europeia.

Personagem desta entrevista, Gilbert Achcar é professor na School of Oriental and African Studies (SOAS) de Londres e um dos mais respeitados analistas do mundo árabe contemporâneo. Nasceu em 1951 e deixou o Líbano em 1983. 

Ensinou na Universidade de París VIII e no Centro Marc-Bloch de Berlim. O seu compromisso com as esquerdas e movimento pró-palestina nunca o impediu de dirigir um olhar severo sobre as ditaduras nacionalistas árabes. É autor de “Le peuple veut une exploration radicale du soulèvement arabe”, editora Actes Sud.

Como qualificar o que aconteceu no mundo árabe, desde 2011?
Escolhi a palavra “levante” como título para o meu livro. Mas, na introdução falo de um processo revolucionário a longo prazo. O que estava claro desde o princípio é que estávamos muito no início de uma explosão, e o que se pode prever com certeza é que será de longa duração.

Emmanuel Todd deu uma explicação demográfica do fenômeno. Você inclina-se mais para uma explicação marxista.
A fase durante a qual o mundo árabe se distinguia por uma demografia galopante acabou há vinte anos. Comecei com a análise da situação em vésperas da explosão, em 2010. Constata-se um bloqueio do desenvolvimento que contrasta com o resto do mundo; inclusivamente com a África subsariana. A expressão mais espetacular desse bloqueio é uma taxa de desemprego recorde, particularmente entre os jovens. Além disso, há uma modalidade específica do capitalismo na região: em diferentes níveis, todos os Estados são rentistas. A outra caraterística é um patrimonialismo no qual o clã dominante se apropria do Estado até ao ponto de o transmitir de forma hereditária.

As revoluções árabes traduziram-se em liberalizações políticas, mas não em grandes mudanças sociais. Por quê?
No Egito e na Tunísia, só foi quebrada a ponta do icebergue; quer dizer, os déspotas e o seu grupo próximo. Por outro lado, nesses dois países, o “Estado profundo”, a administração, os aparelhos de segurança, não mudaram. Neste momento, só na revolução Líbia se deu uma mudança radical: hoje, já não há Estado; já não há exército. Nesse país, o descalabro social foi mais profundo, porque o reduzido espaço privado que existia era ocupado pela família Gadafi.

No Ocidente estranhou-se o triunfo dos islamitas nas eleições, quando não foram eles a lançar essas revoluções…
As expectativas do Ocidente, esse romanticismo em volta da “primavera” e o “jasmim”, todo esse vocabulário orientalista, baseavam-se num desconhecimento da situação. Era evidente que os integristas iam apanhar as castanhas do fogo porque, desde finais dos anos 70, impuseram-se como uma força hegemónica no protesto popular. Encheram o vazio deixado pelo fracasso do nacionalismo árabe. Por outro lado, a principal razão pela qual os governos ocidentais apoiavam os despotismos árabes era o receio dos integristas. Crer que essa situação iria ser varrida pelos acontecimentos, era tomar os desejos por realidades. Com o apoio financeiro do Golfo e o apoio televisivo da Al Jazeera, não se podia esperar outra coisa que vitórias eleitorais integristas. O que é chamativo é que essas vitórias não tenham sido esmagadoras. No Eipto, desde as legislativas ao referendo sobre a Constituição, passando pelas presidenciais, estamos a ver a velocidade a que se desmorona o voto integrista. Na Tunísia, Ennahda consegue 40% numas eleições em que participaram metade das pessoas inscritas. E, na Líbia, a Irmandade Mulçumana local foi derrotada.

Surpeendem-lhe as atuais dificuldades dos islamistas no poder?
Em primeiro lugar, há que dizer que o regresso aos despotismos não é algo exequível. Há que passar pela experiência do islamismo no poder. As correntes integristas construíram-se como forças de oposição com um slogan simplista: o islão é a solução. É algo completamente oco, mas funcionava num contexto de miséria e de injustiça no qual se podia vender essa ilusão. Os islamistas são traficantes do ópio do povo. Desde o momento em que estão no poder, isso já não é possível. São incapazes de resolver os problemas das pessoas. Chegaram aos postos de comando em condições que ninguém inveja e não têm nenhum programa econômico.

Pode-se confiar neles no momento de organizar escrutínios que os poderão expulsar do poder?
Esse é o argumento clássico: uma pessoa, um voto, mas uma só vez. Salvo que cheguem ao poder em posição de força. O povo aprendeu a “querer” sair à rua. Jamais um dirigente, na história do Egito, foi tratado com tanto desprezo pelo seu povo como atualmente Morsi…

Pode-se copiar o modelo turco para o mundo árabe?

Não, na Turquia não é a Irmandade Mulçumana que dirige o país, mas uma cisão modernista que se reconciliou com o princípio do laicismo. O AKP turco é a versão islâmica da democracia cristã europeia. A Irmandade Mulçumana não é isso. É uma organização integrista que milita pela Sharia e para quem a palavra laicismo é uma injúria. No terreno econômico, não tem nada a ver: o AKP encarna um capitalismo de pequenos industriais, enquanto a Irmandade Mulçumana participa numa economia rentista, fundada no lucro a curto prazo.

Pode descrever a influência do Qatar nestas revoluções?
É um enigma. Alguns dirigentes colecionam carros ou armas; o Emir do Qatar, por seu lado, joga na política externa. Apresentou-se como comprador da Irmandade Mulçumana da mesma forma que compraria uma equipe de futebol. Um homem que jogou um papel fundamental nesta nova aliança (que faz recordar a que houve entre Mohamed ben Abdel Wahab e a dinastia dos Saud no século XVIII) é o sheik Qaradhawi, chefe espiritual dos Irmandade Mulçumana, instalado desde há muito no Qatar, e que tem grande influência na Al Jazeera. Tudo isso acontece num país em que o Emir não tolera qualquer oposição.

Como explicar a complacência dos Estados Unidos para com a Irmandade Mulçumana?
É algo que começou sob a administração Bush. Para os neoconservadores, o despotismo nacionalista produziu o terrorismo e, portanto, havia que derrubar déspotas como Saddam Hussein para poder estender a democracia. Condoleezza Rice quis retomar a aliança com a Irmandade Mulçumana, que se deu nos anos 50 e 60. Mas a vitória do Hamas nas eleições palestinianas bloqueou o processo. A administração Obama, que herdou uma situação catastrófica no Médio Oriente, mostrou uma atitude indecisa e prudente. Quando tudo estalou, optou por tentar dar a impressão de acompanhar o movimento. A obsessão de Washington na região é a estabilidade e o petróleo. E a tradução desta obsessão, é a procura de aliados que disponham de uma base popular.

Por que é que a intervenção da OTAN foi possível na Líbia e não na Síria?
A Síria encontra-se perante um risco de caos tipo Líbia, mas num contexto regional bastante mais perigoso. Está também o apoio da Rússia e do Irão. Desde o começo, a OTAN disse que não queria intervir. A questão não é “porque é que o Ocidente não intervém na Síria?”, mas “porque é que impede a entrega de armas à rebelião?”. A razão profunda é o medo do movimento popular na Síria. E o resultado é que a situação está a apodrecer. O regime sírio acabará por cair, mas a que preço? A miopia dos governos ocidentais é alucinante: com o pretexto de não reproduzir os erros cometidos no Iraque, quer dizer, o desmantelamento do estado baasista, fazem algo pior. Hoje, os sírios estão persuadidos de que o Ocidente deixa que o seu país se auto-destrua para proteger Israel.

A esquerda anti-imperialista vê um complô americano nestas revoluções…Se, por oportunismo, as insurreições populares são apoiadas por potências imperialistas, não justifica que apoiemos as ditaduras. A teoria do complô americano é grotesca. Basta ver o aperto de Washington. É claro que, depois de quarenta anos de totalitarismo, o que chega é o caos, mas, como diria Locke, prefiro o caos ao despotismo, porque no caos tenho uma opção.


* Tradução: António José André, do Esquerda.net

Friday, 1 March 2013

David Bowie unveils new video 'The Stars (Are Out Tonight)' starring Tilda Swinton - watch

NME
http://www.nme.com/news/david-bowie/68903


David Bowie unveils new video 'The Stars (Are Out Tonight)' starring Tilda Swinton - watch

The song is the second track to be taken from the legend's comeback album 'The Next Day'

Read more at http://www.nme.com/news/david-bowie/68903#WZFBgMQrol67zB6T.99 



NME Video



David Bowie

has unveiled a brand new track titled 'The Stars (Are Out Tonight)'. Click above to listen to the song and watch the video, which stars Tilda Swinton as Bowie's wife.

The video was directed by Floria Sigismondi, who was also behind the videos for Bowie's 'Little Wonder' in 1996 and 'Dead Man Walking' in 1997. 'The Stars (Are Out Tonight)' is now available to purchase digitally.
Read more at http://www.nme.com/news/david-bowie/68903#WZFBgMQrol67zB6T.99

The new issue of NME, which comes out tomorrow (February 27), stars David Bowie and features an exclusive cover shot for NME in New York, as well as the whole story on 'The Next Day' and a full review of the album.

Bowie shocked fans and the media alike last month, when he broke his decade-long musical silence by revealing a new song 'Where Are We Now?' and announcing that an album, titled 'The Next Day', would follow. The album has been produced by Bowie's longtime collaborator Tony Visconti and will be released in the UK on March 11.
Read more at http://www.nme.com/news/david-bowie/68903#WZFBgMQrol67zB6T.99 
David Bowie's guitarist Gerry Leonard recently revealed that Bowie might tour off the back of the album. "I would say that it's 50-50," he told Rolling Stone. "A couple of times, when we played back one of the more kick-ass tunes from the new record, he'd be like, 'This would be great live!' Of course, everyone was like, 'What? Did he just say that?' But other times he'd just roll his eyes if someone brought up playing live." 
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Saturday, 16 February 2013

[Michèle Sato (Brasil)] XX Jornadas ASPEA Leiria - PORTUGAL 2013

XX JORNADAS DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL (ASPEA)
janeiro 2013: Leiria, Portugal

conferência de encerramento: sociedades sustentáveis

http://youtu.be/tuDsUJ0F4UQ

[Michèle Sato (Brasil)] XX Jornadas ASPEA Leiria - PORTUGAL 2013

Wednesday, 13 February 2013

O que não nos mata, nos fortalece


centro burnier
http://centroburnier.com.br/wordpress/?p=3971


O que não nos mata, nos fortalece

Por Michèle Sato
Era inverno na Europa e Portugal se revelava mais fria do que das últimas vezes que lá estive. O céu escuro me dava certeza de que o centro-oeste brasileiro estava distante um oceano inteiro. Em ritmo de sol nictêmero, chuva e vento marcavam o frio que me obrigava a usar diversas roupas no incômodo do movimento, mas simultaneamente no prazer do frio incomum de quem vive num clima totalmente tropical do lado de baixo do Equador.
Dois eventos marcaram o mês de janeiro nas terras da lusofonia. O primeiro evento denominado “Earth Condominium[1]” foi organizado pela Quercus, uma organização não governamental ambientalista (ONGA), que possui enorme respeitabilidade em Portugal. Entre seus diversos projetos, eles lançavam mais uma proposta econômica ao planeta. Ancorado nas leis espanholas que permitem que um condomínio seja território mais amplo que o privado, as dimensões da camada de ozônio, proteção da biodiversidade e mudança climática eram as portas de entrada de uma arrojada proposta mundial de se valorar o ambiente. Ainda em plena construção, foram convidados 6 debatedores internacionais para discutir a proposta, mas para além disso, tecer considerações sobre as diversas especialidades oriundas de diversos países.
Honrava o evento a presença do sheik da Arábia Saudita, que superando minhas expectativas em relação à realeza, dava pistas claras que sua visão ambiental associava-se à injustiça social. De fato, os debates calorosos durante o evento reportaram os Direitos Humanos como condição sine qua non de sustentabilidade planetária. A proposta ainda está em plena construção, e no início tive certa dificuldade em compreendê-la, pois me parecia uma mistura de várias propostas, como a ênfase na economia e biodiversidade da avaliação ecossistêmica do milênio, mas também havia ligação com a inusitada teoria Gaia de Lovelock. De tudo, o que se fazia nítido era o desejo de salvaguardar um planeta já em estado avançado de deterioração socioambiental.
O evento aconteceu no auditório do Parque Biológico de Gaia, um espaço deliciosamente bem cuidado que agrega um bom alojamento aos visitantes, zoológico, horto florestal, fazenda sustentável e alguns museus temáticos muito bem feitos do ponto de vista científico e tecnológico.
De Porto, parti para Leiria, um município muito bonito com muitos atrativos turísticos, como catedral, castelo, ruas medievais ao lado de prédios modernos, arquitetura contemporânea e a estética entre o velho e o novo da paisagem europeia. O espaço central, entre o teatro municipal, o mercado e as ruas periféricas foram tomados pelos participantes da XX Jornadas da Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA)[2], organismo que anualmente promove os encontros dos educadores ambientais, além de coordenar alguns projetos socioambientais com muito talento.
Convidada oficialmente como representante da Plataforma de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (DHESCA), minha conferência de encerramento trouxe a dimensão de SOCIEDADES sustentáveis, no contraponto ao DESENVOLVIMENTO sustentável.
Em 2005, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) lançava a década do “desenvolvimento sustentável” na Europa, e a ASPEA promoveu o encontro me convidando para debater a orientação mundial que se apresentava confusa, já que além de fixar um período de 10 anos, direcionava a educação para apenas um determinado fim: o desenvolvimento. A análise foucaultiana diria que a Unesco quis controlar o que pode ser dito numa certa época para filtrar os perigos e as possíveis subversões que poderiam aparecer. Convém sublinhar que a educação é atemporal, isto é, ela é um processo duradouro e não se limita aos períodos temporais fixos.
Foi exatamente a noção desenvolvimentista que trouxe as desigualdades sociais, com autorização absoluta da destruição da natureza, já que esta representava o primitivo selvagem e a ordem (e o progresso) era ancorada na modernidade urbana. Em nome deste desenvolvimento, diversas agressões foram cometidas contra a natureza, que na maioria das vezes trazia consequências desastrosas aos grupos humanos economicamente desfavorecidos, em completa violação dos direitos humanos.
Mas o jargão “desenvolvimento sustentável” conseguiu ser hegemônico: virou discurso cotidiano aos jovens sufistas, aos sindicalistas de esquerda, aos movimentos sociais e inclusive aos latifundiários, eliminando as diferenças, mascarando o antagonismo ideológico das identidades dos sujeitos. Pasteurizou-se o conceito, na supremacia de um discurso que ainda encerra o velho capitalismo, mas agora com nova roupagem.
De fato, após 7 anos do lançamento da década da UNESCO, pouco se fez ou se concretizou em termos desta educação direcionada ao desenvolvimento sustentável, e foi na América Latina que a Unesco encontrou mais resistência. Podemos ignorar a orientação hegemônica da Unesco, mas ela não conseguiu nos ignorar. A educação ambiental assim se fortaleceu, já que no contexto histórico nietzschiano “o que não nos mata, nos fortalece”. Seus belos frutos continuam palpitando e mostrando a beleza nas XX Jornadas da ASPEA, que não se sucumbiu ao poder hegemônico e permaneceu viva e dinâmica.
No Brasil, a educação ambiental é pautada na premissa de que onde há um crime ambiental, há também um crime social que atinge os grupos sociais vulneráveis. É no contexto de tentar proporcionar possiblidades de escolhas que os direitos humanos têm sido sublinhados nas agendas de compromissos dos educadores ambientais. Obviamente há que se lembrar que há várias leituras da educação ambiental, assim como diversos grupos atuantes de direitos humanos. É na diferença que se constrói a cidadania, ainda que pelos diálogos tensivos de quem não mais deseja a mediação pedagógica, pois reconhece que a sociedade democrática é tensiva por causa de suas diferenças. Se a proteção da biodiversidade é um completo consenso entre os educadores ambientais, talvez esteja na hora de enfrentarmos com mais seriedade sobre a diversidade étnica, sexual, cultural, social, econômica ou espiritual. São bandeiras de lutas que aproximam a educação ambiental dos direitos humanos, e em suas dimensões mais amplas que transcendem o antropocentrismo, fazendo emergir também os direitos da Terra.

Michèle Sato é líder do Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)


[1] http://www.earth-condominium.org/en/
[2] http://www.aspea.org/

Tuesday, 12 February 2013

caracol biscuit


http://vk.com/wall-29354615_51118?offset=0


Крошечный зоопарк

Девушка по имени Afi живет в Торонто вместе со своим мужем и делает эти замечательные работы. Они такие нежные и оригинальные, что мне очень захотелось показать их вам

Friday, 8 February 2013

O mito Lincoln e a história universal

correio da cidadania
http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=8081:submanchete070213&catid=72:imagens-rolantes

O mito Lincoln e a história universal


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ESCRITO POR CASSIANO TERRA RODRIGUES   
QUI, 07 DE FEVEREIRO DE 2013


Em Lincoln (EUA, 2012), Steven Spielberg apresenta mais um capítulo da história do mito Lincoln, sem acrescentar muito ao que já se sabe sobre o homem Abraham Lincoln. Não que o filme seja inverídico. Ao contrário, prima por certa acuidade histórica, caracterizando a personagem de acordo com vários detalhes conhecidos de sua história pessoal: as anedotas que gostava de contar estão no filme, bem como o sonho de estar num navio, à noite, navegando em direção a alguma costa desconhecida; sua vida pessoal amargurada; a retórica precisa e eficiente; seu senso de estadista etc.

A atuação memorável de Daniel Day-Lewis ajuda o realismo do filme, embora, quanto a isso, não possamos obviamente saber a que ponto ele se aproxima do original. No entanto, o interesse em perpetuar o mito revela-se já pela escolha do período a ser retratado. A ação do filme restringe-se apenas aos últimos quatro meses de vida de Lincoln, e decorre em duas frentes.

Por um lado, o filme mostra as manobras do político Lincoln para fazer aprovar, na House of Representatives dos EUA, a 13ª Emenda Constitucional, aquela que bane a escravidão dos EUA, antes do final da Guerra de Secessão. Nesse plano da ação, vemos como a principal meta de Lincoln não era garantir direitos aos escravos, mas o poder nacional, salvando a “União”. Já no fim do filme, há uma única sequência em que se avista uma crítica a Lincoln. Em 3 de fevereiro de 1865, perto de Hampton, estado da Virgínia, Lincoln encontrou-se com uma delegação representando os Estados Confederados (o Sul, derrotado na Guerra Civil), para negociar o fim da guerra. Esse encontro ficou conhecido como Conferência de Hampton Roads e não teve sucesso. Na sequência do filme, Lincoln ouve de um dos membros da delegação (salvo engano, de Alexander H. Stephens, vice-presidente dos Estados Confederados): “A tua União, presidente Lincoln, foi conseguida com uma violência sem tamanho”. Imediatamente a câmera filma Lincoln em contracampo, por trás dos ombros de Stephens, desqualificar a acusação e fazer um apelo sentimental pelo fim da sangreira. Um ato de confissão que é ao mesmo tempo um ato de consagração do crime cometido em nome de um ideal maior. Concordaria Maquiavel com essa justificativa?

Por outro lado, o filme humaniza Lincoln, mostrando as agruras do pai e do marido. Cobrado pelo filho mais velho, culpado pela mulher pela perda de outro filho, vemos um Lincoln atormentado como uma pessoa comum, sem, no entanto, perder a cabeça em momento algum. Nota-se seu ar melancólico e sugere-se sua depressão, mas nada mais. Lincoln sofreu com a morte de dois filhos, Edward, em 1850, e William, em 1862, durante a Guerra Civil. Somente a morte de William aparece no filme com alguma importância. Sua mulher, representada por Sally Field, acusa-o de ser insensível à morte de Willie e exige dele que proíba o filho mais velho, Robert (Joseph Gordon-Levitt), de se alistar.

Lincoln rechaça-a, expondo suas emoções em momento raro. Ele o faz, no entanto, sem ceder à emotividade exagerada, dando admirável lição de autocontrole racional. Em outra sequência, Lincoln esbofeteia Robert, para logo em seguida dizer, para si mesmo: “Não posso perdê-lo”. Há, nessas sequências, uma clara representação de Lincoln como um grande líder republicano, à moda dos antigos romanos – é em nome da União, em nome do dever cívico, que ele não se deixa dominar por suas emoções ou interesses pessoais. Fosse Jacques-Louis David vivo e estadunidense, teria pintado quadros de Lincoln como a personificação moderna de um Brutus ou dos Horácios...

Temos, então, um retrato perfeito de um grande estadista, um strategos, no sentido da Grécia Antiga, mais que um general, um grande líder político em tempos de guerra. Ele mesmo não se emociona, mas nós nos emocionamos com ele. A música, clichê máximo, a música não é autônoma, tampouco auxilia ou constrói a narrativa, limitando-se a ser ouvida unicamente para emocionar a plateia. Com sua morte, no fim, o filme volta em flashback e, música ao fundo, vemo-lo através da chama de uma vela, que aos poucos se apaga, em Gettysburg, cercado por uma multidão, pronunciando seu discurso mais famoso. Do cadáver ao santo, e do santo ao grande líder. Pieguice ufanista suprema, magistralmente filmada pelo mais piegas diretor de Hollywood.

A escolha de mostrar o discurso de Gettysburg somente ao final funciona como uma resposta à pergunta: “quem foi este homem?”. Ora, o que o filme parece dizer é que, quem quer que tenha sido, este homem só poderia ter nascido nesta nação! Muito pouco o filme explora o quanto o próprio Lincoln parecia acreditar em si mesmo como um mito e o quanto ele mesmo trabalhou para ser visto como um mito. Ele se sente confortável como um líder e o filme o mostra muito preocupado em estar próximo do “povo”, ao contrário de Thaddeus Stevens (Tommy Lee Jones), o republicano radical que queria liderar o povo sem dar-lhe ouvidos.
Certa acuidade histórica, dissemos. Não há no filme intenção em mostrar outras ações de Lincoln que poderiam desmistificá-lo, como a defesa da plataforma do recém-fundado partido Republicano em favor dos negócios e do industrialismo do Norte, em detrimento dos interesses agrários e latifundiários do Sul. No entanto, o filme mostra, à sua maneira, como Lincoln agia, na sua prática política, usando a instituição da escravidão como um instrumento para assegurar a União. Ao mesmo tempo em que, com toda sua retórica humanitária, não se referia a ela em termos sócio-políticos, mas em termos morais, apagando do debate público, com isso, as questões mais complicadas relativas aos conflitos de classe implicados pela escravidão. Ele distanciava-se, assim, dos abolicionistas radicais.

Segundo o historiador Howard Zinn, Lincoln sabia muito bem como diferenciar em público entre seu “desejo pessoal” de acabar com a escravidão e seu “dever oficial” como presidente. Trabalhando politicamente para postergar a abolição até o ponto de arrasar completamente o Sul, Lincoln conseguiu garantir não só a União, como também o poder político sobre os territórios do Oeste para os Republicanos do Norte. Diz Howard Zinn: “Esse governo nacional nunca aceitaria por um fim à escravidão por meio da rebelião. Ele acabaria com a escravidão somente sob condições controladas pelos brancos, e somente quando exigido pelas necessidades políticas e econômicas da elite empresarial do Norte. Abraham Lincoln foi quem combinou perfeitamente as necessidades dos negócios, a ambição política do partido Republicano e a retórica do humanitarismo” (A People’s History of the United States, p. 187).

Sabemos, por Edmund Wilson, que Lincoln via a si próprio como um grande líder e como um mito. Em Sangreira Patriótica, Wilson analisa os escritos de Lincoln (afinal, é um livro acerca da literatura nos EUA à época da Guerra de Secessão) e descreve uma evolução intelectual que o filme não mostra. Na juventude, Lincoln era um cético, quase um ateu, muito mais próximo de um livre-pensador iluminista do que dos protestantes fundamentalistas mais numerosos nos EUA. Sempre foi um determinista, e aquilo que ele chamava de Deus nada mais era do que a História. Com o passar do tempo, Lincoln desenvolveu a ideia de que a Guerra Civil era um apocalipse, uma espécie de Armagedom, do qual a União só poderia sair se liderada por ele mesmo. Como os EUA nasceram para ser a nova Roma, Lincoln via-se a si próprio como um grande líder da história mundial. Diz Wilson: “Desde o início, ele (Lincoln) é ciente de seu papel público, não somente com relação à história de seu país, mas também com relação ao mundo maior, para o qual todos os antigos valores serão modificados, as relações sociais serão alteradas” (Patriotic Gore, p. 127).

Podemos ver essa certeza nas palavras do Discurso de Gettysburg que ecoam as palavras da oração fúnebre de Péricles, em memória dos atenienses mortos na Guerra do Peloponeso. No discurso de Gettysburg, Lincoln, assim como Péricles, lembra dos mortos na batalha com “o mais grave sentimento”, usando palavras exatas com um tom de naturalidade indiscutível, conforme o juízo de Edmund Wilson (para ele, Lincoln seria o único dos presidentes estadunidenses com talento para ser um grande escritor). No entanto, assim como na oração fúnebre de Péricles, o mais importante não é lembrar os mortos, mas exortar os vivos a continuarem a batalha, a realizarem a vocação universal de sua nação, pela qual outros lutaram e morreram. Disse Péricles, 430 a.C.: “Assim, estes homens se comportaram de maneira condizente com nossa cidade; quanto aos sobreviventes, embora desejando melhor sorte, deverão decidir-se a enfrentar o inimigo com bravura não menor”.

Disse Lincoln, 1863: “Em um sentido mais amplo, não podemos dedicar – não podemos consagrar –, não podemos santificar este solo. Os bravos, vivos e mortos, que aqui lutaram, já o consagraram muito além do que nosso parco poder poderia acrescentar ou retirar. O mundo pouco notará, tampouco lembrará por muito tempo, o que dizemos aqui, mas nunca poderá esquecer o que eles fizeram aqui. Cabe antes a nós, os vivos, dedicarmo-nos aqui à obra inacabada levada adiante por aqueles que aqui lutaram de maneira tão nobre. Cabe antes a nós estarmos aqui dedicados à grande tarefa que permanece à nossa frente – que, desses honrosos mortos, tiremos ainda maior devoção à causa pela qual deram sua última medida de devoção – que aqui decidamos de forma altaneira que esses mortos não morreram em vão – que esta nação, sob Deus, venha a ter um novo nascimento de liberdade – e que o governo do povo, pelo povo, para o povo, não desaparecerá da terra”.

Não há como negar a retórica perfeita, a maneira como Lincoln liga-se, pelo discurso, aos “pais fundadores” dos EUA, a forma solene de garantir o efeito emocional desejado, a certeza de sua própria inserção na história mundial, o autoelogio disfarçado próprio dos sofistas (Péricles foi educado pelos sofistas e o discurso de Lincoln é lembrado até hoje, ao contrário dos soldados mortos em Gettysburg). Lincoln pode, dessa forma, assegurar seu papel de salvador da nação em um momento de crise extrema. É a ele que, no filme, as pessoas comuns recorrem, brancos ou negros, ricos ou pobres, quando se sentem perdidas. O filme, dessa forma, reitera a ideologia dominante da história dos EUA. Conforme ainda Zinn, esse tipo de história dos EUA, “centrada sobre os Pais Fundadores e os presidentes, pesa opressivamente sobre a capacidade de agir do cidadão comum” (p. 631). Há mesmo um apelo à história universal no discurso de Gettysburg?

Essa maneira como os EUA entendem a própria história é grandiloquente, é autoconfiante – é a visão da história própria a quem ocupa o trono do Império. Liderados por grandes homens, “os anglo-americanos viveram a sua história como uma ação coletiva, da qual se sentem solidários e responsáveis”, diz Octavio Paz. “Ó capitão! Meu capitão!”, cantava Walt Whitman, “Por ti clamam as massas como ondas”.

Nós, latino-americanos, diferentemente, entendemos nossa própria história com certa desconfiança e ironia, uma vez que não fomos sujeitos de nossa própria história, mas objetos: “Não, nós não vivemos a nossa história: nós a sofremos como uma catástrofe ou como um castigo” (Octavio Paz, Signos em Rotação, p. 150). Com qual ideologia os negros, os chicanos e os pobres nos EUA hoje mais se identificariam? Vivem ou sofrem a história sob a presidência de Barack Obama? Ou então, voltando a nós, hoje, no Brasil: daqui a alguns anos, com quais olhos seremos capazes de olhar para nossa história? Com olhos de quem viveu ou de quem sofreu?

Cordiais saudações.

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BIBLIOGRAFIA: Os títulos citados neste ensaio estão referenciados a seguir.

Octavio PAZ. Signos em Rotação. São Paulo: Editora Perspectiva, 1972.

Edmund WILSON. Patriotic Gore – Studies in the Literature of the American Civil War. New York; London: W.W. Norton&Co., 1994. Apenas a introdução deste livro foi traduzida para o português, em um volume organizado por Paulo Francis que está esgotado há mais tempo do que deveria: Onze ensaios: literatura, política, história. Seleção e prefácio de Paulo Francis, tradução de José Paulo Paes. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.

Howard ZINN. A People’s History of the United States – 1492-Present. New York: HarperCollins, 2003. Este livro infelizmente não tem tradução para o português. Mas pode ser lido integralmente, em inglês, no sítio virtual:http://www.historyisaweapon.com/zinnapeopleshistory.html.

O discurso de Péricles foi relatado por Tucidídes, em sua História da Guerra do Peloponeso, no livro 2, parágrafo 43, primeira parte. A tradução completa, feita por Mário da Gama Kury, foi publicada pela Editora da Universidade de Brasília e há muito está esgotada. Há tradução do Livro I, por Anna Lia A. de Almeida Prado, publicada pela editora Martins Fontes.

O discurso de Gettysburg não tem uma edição definitiva. Só há um único manuscrito autógrafo, mas não se sabe o quanto corresponde ao que de fato Lincoln teria falado, uma vez que, pelos testemunhos, ele não teria lido o discurso. As versões, no entanto, divergem pouco e podem ser encontradas na Internet, tanto em inglês, quanto em português.
Cassiano Terra Rodrigues é professor de Filosofia na PUC-SP e acredita em histórias contadas pelo povo, principalmente na do Saci-Pererê.
Contato: cassianoterra(0)uol.com.br

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