Sunday, 10 May 2020

"Mundo será igual se o ser humano não aprender", alerta pesquisadora para o pós-pandemia

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EDUCAÇÃO E MEIO AMBIENTE

"Mundo será igual se o ser humano não aprender", alerta pesquisadora para o pós-pandemia

Michele Sato, que também é doutora em Ciências, analisa a crise mundial provocada pelo coronavírus, nesta entrevista ao PNBOnline

da Redação
arquivo pessoal
Michele Sato

O olhar da ciência sobre a crise mundial provocada pela pandemia do coronavírus traz à tona questionamentos sobre a participação do ser humano neste processo e quais as consequências no futuro próximo. Afinal, a morte de centenas de milhares de pessoas pela covid-19 vai transformar a humanidade para melhor? Nesta entrevista concedida ao PNBOnline, com a colaboração dos jornalistas e professores doutores Pedro Pinto de Oliveira e Diélcio Moreira, a coordenadora do Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), professora doutora em Ciências Michele Sato, faz uma análise deste contexto e aponta que tudo depende do cuidado que as pessoas têm com outros seres na natureza. Veja os principais trechos da entrevista:

Pedro Pinto de Oliveira: Existe uma crença que o homem pode domesticar todas as forças naturais. O que essa ideia implica em termos de erros que se cometem contra a nossa própria condição de vida?

Michele Sato - A megalomania do ser humano de querer controlar tudo, inclusive na paisagem arquitetônica ou no simples exemplo de cortar as árvores na frente das casas, a mania de querer arredondar, dar um outro formato. Mas a natureza não é assim. Este ato de você podar a árvore redonda é dizer eu tenho o controle sobre a natureza, eu dou a forma que eu quiser. Isso surge há muito tempo, filosoficamente, quando foi considerado o máximo do Positivismo, o ser humano de um lado e natureza de outro. A modernidade trouxe uma mensagem dizendo: você é primitivo se for da natureza, o mais culto está na cidade. Se você pegar a pintura de Delacroix, na França, a liberdade fazendo a revolução em Paris, depois ela se transforma em estátua e França dá de presente para Nova York (A Liberdade guiando o povo, em francês: La Liberté gudant le peuple, uma pintura de Eugène Delacroix em comemoração à Revolução Francesa, de Julho de 1830) é a cara revolucionária e aí, você retorna para campo, pintores como o próprio Van Gogh, com camponeses curvados, baixos. 

A burguesia achava que era mais fácil dominar o campo do que a cidade. O campo era a natureza e a cidade, a humanidade. Então, esse binarismo que surgiu entre natureza e sociedade fez com que a gente achasse que nós somos mais fortes do que a natureza, mas nós somos parte da natureza. Fazemos parte de um elo, onde somos uma das partes. A gente sempre esquece de bicho, planta, de bichinho que a gente não enxerga. Afinal de contas, o morcego não é o vilão da covid-19, o vilão é o ser humano que foi lá e depredou a natureza. Esta separação positivista do humano e da natureza trouxe esta sensação de que nós somos melhores e controlamos a natureza, mas isso não acontece. Tanto que um dos nortes para ebola, aids e agora, covid-19, é de que os bichos que estavam milenarmente quietinhos, em um lugar, surgem e vira uma pandemia. 

Pedro Pinto de Oliveira: O Antropoceno, período que marca as nossas atividades humanas que começaram a ter um impacto global significativo no clima da Terra e no funcionamento dos seus ecossistemas, é datado por alguns especialistas a partir do final do século XVIII. Qual é o marco contemporâneo dessa intervenção em termos de impactos?

Michele Sato - O grande impacto, segundo Paul Crutzen, que ganhou o prêmio Nobel por ter cunhado o sistema Antropoceno, ele vem do alto custo energético que o ser humano fez do planeta: o motor a vapor, os poços de petróleo, a mecanização da agricultura e, consequente, uso de agrotóxicos. Ele julga que tem três fases: a aceleração industrial, no início do século XVIII; depois veio a agricultura que foi uma exploração da terra de uma forma assustadora; e agora, estamos enfrentando a emergência climática. Não falamos mais em mudança climática que é um fenômeno natural, mas emergência climática, a gente assume que a ação humana está por trás disso. Impreterivelmente, uma tendência mundial recente que está acontecendo. Alguns teóricos, e eu estou entre eles, têm chamado isso de Capitoloceno. O Paul Crutzen teve o seu mérito, houve sim uma exaustão da natureza por causa da energia e da agricultura que trouxe uma transformação climática mas, nós não somos todos iguais. Então, um morador aqui do Renascer (bairro em Cuiabá), ele tem menos culpa no cartório do que um cara do agronegócio. Ele elimina menos gases do efeito estufa e não é só o carbono, como a maioria coloca. Mato Grosso é campeão em emissão de metano, por exemplo. Quem está eliminando mais esses gases? É o capital, a indústria, o agronegócio, as grandes corporações. Hoje em dia, se ouve muito dizer que depois da covid-19 o mundo não será o mesmo. Será igual, sim. A gente já ouviu esta frase 200 mil vezes e o ser humano não aprende. 

As projeções petrolíferas continuam a mesmíssima coisa no período de isolamento social. Nos EUA, quando as Torres Gêmeas foram destruídas, em 11 de setembro de 2001, o que mais se falou em jornais como o The New York Times foi “nós nunca mais seremos os mesmos” e, foram tacitamente iguais, ou piores porque elegeram Donald Trump presidente. Nos dias de hoje, 40 dias depois do início do isolamento social, catadores de lixo no mar encontraram muitas máscaras jogadas no oceano. Que lição é essa que está sendo aprendida? A gente precisa de uma revolução no modo de produção. Na década de 70, Schumacher, a obra dele foi equivocadamente traduzida como o Negócio é Ser Pequeno, mas o livro é a Simplicidade é bela (E. F. Schumacher. O negócio é ser pequeno - Small is beautiful - Um Estudo de Economia que leva em conta as pessoas). Temos que recuperar isso, e não só ter, ter. Devagar, de forma amorosa, generosa, com menos consumo, Mas, para fazer esta revolução é difícil. 

A destruição da natureza é um processo que está acontecendo porque as pessoas querem ficar ricas. Não é todo mundo, é uma minoria. Isto precisa ser esclarecido. É o que a gente está chamando de ”Capitaloceno”, uma minoria com uma vontade. Ou seja, 80% da humanidade consomem 20% dos recursos e 20% dos ricos, consomem 80% da energia do mundo.

Pedro Pinto de Oliveira: No meio acadêmico existe um tipo de dualismo que separa a Natureza da Cultura, sem a compreensão da continuidade dessa relação. A crise do coronavírus é um acontecimento importante para entendermos e pensarmos essa continuidade, sem dualismos?

Michele Sato - Quando falei do positivismo já apontei este dualismo. Para quem é educadora como eu, é complicado, porque você tem que ver a realidade e ser otimista. Se situar neste complexo otimista, pessimista é muito difícil. Porque, a gente começa a estudar, fica depressivo com o que vê e se pergunta se tem solução? Tem que ter. As pessoas que acreditam que nós somos separados do todo, vão continuar pensando assim e as pessoas que querem um ambiente mais saudável, uma comida mais orgânica, com menos agronegócio, vão mudar.  A gente tem que aprender, não dá pra voltar ao normal, ao que era, porque não estava dando certo. Por isso que a gente entrou em crise. É preciso voltar, refazer o caminho. Eu lamento dizer que a covid-19 é uma das tantas outras pandemias que virão aí. O degelo que está acontecendo está liberando muitos vírus. Tem virus encontrados no Tibet que ficaram cristalizados 15 mil anos e o que eles vão causar? Nós vamos passar pela covid-19, mas, tenho dúvidas se a gente vai passar pela segunda pandemia. Vai ser uma guerra nas estrelas: a minoria lá em cima na nave e a vasta maioria em tribos e cavernas, aqui em baixo. 

Dielcio Moreira - A Covid 19 é uma resposta da natureza à desatenção, desapego e desrespeito ao Meio Ambiente? 

Michele Sato - Mas, não posso dizer que isso é uma reação da natureza, porque dá a impressão que a terra é viva, uma teoria que eu não compartilho. Eu sou cientista, acredito no Big Bang, que nós moramos em uma rocha chamada terra. Não acredito que ela tenha a capacidade de vingança. Ecologicamente, a pandemia trouxe um desequilíbrio, há uma causa e, aí, a consequência. 

Dielcio Moreira - Com o avanço do pensamento conservador de extrema direita, implantação de políticas econômicas ultraliberais, entrega das florestas aos seus predadores, marginalização radical das comunidades já excluídas e o sucateamento e a desvalorização das escolas, como imagina neste cenário a condução do esforço da educação ambiental?

Michele Sato - Isso é educação ambiental, as informações estão aí, mas, as pessoas negam. Nós estamos no meio de uma guerra híbrida, muito forte e as armas convencionais, revólveres e canhões são substituídas por fake news e manuseio de dados confiáveis. Recentemente, o governo federal contratou uma empresa para fazer o levantamento da covid-19 que é a mesma empresa responsável pela produção de fake news na campanha do então candidato Jair Bolsonaro. Que tipo de credibilidade a gente pode dar aos números que o governo está divulgando? Está morrendo muito mais gente do que se imagina. Não falta informação sobre a pandemia, tá faltando algo a mais. Acho que é esta guinada que o mundo tem que dar.

O ser humano é capaz de dar reviravoltas, de inventar de criar. Se a gente fosse cobaia de laboratório, o experimento nunca daria certo porque nós não temos um comportamento previsível. Nós temos que nos rebelar, temos que criar, que ter esta capacidade de fugir da mesmice.Esta é a nossa beleza e é o que temos que fazer agora.

A destruição da natureza é um processo que está acontecendo porque as pessoas querem ficar ricas. Não é todo mundo, é uma minoria. Isto precisa ser esclarecido. É o que a gente está chamando de ”Capitaloceno”, uma minoria com uma vontade. Ou seja, 80% da humanidade consome 20% dos recursos e 20% dos ricos, consome 80% da energia do mundo.  Estamos vendo uma ascensão  do fascismo no Brasil e no mundo. Esta semana, foi publicada no New York Times uma matéria sobre uma passeata contra o lockdown (suspensão total das atividades como medida de prevenção ao coronavírus), onde uma mulher segurava uma placa escrita em alemão: o trabalho dignifica o humano. Esta era a frase dada em Auschwitz, na Segunda Guerra Mundial, contra os judeus. Isso é uma loucura. Portanto, as máscaras que estamos comprando hoje vão durar muito tempo. Temos um novo perfil social  porque outras pandemias, mais avassaladoras e mortais do que a condiv virão. O Brasil está no mesmo patamar de Serra Leoa e Gana, países africanos miseráveis, que não têm o que comer. 

Quem sofre mais é a periferia, mulheres apanham dos maridos mais agressivos dentro de casa, aumentou o número de estupros de crianças em casa, trabalhadores da saúde em depressão. É injusto. Quem está em lockdown é privilegiado. No extremo, a minha trajetória como militante dos direitos humanos enquanto ecologista, sei que os mais desgraçados são os prisioneiros e o guarda que cuida dele que não pode ter isolamento. Então, não é o cara do agronegócio e do petróleo que não pode parar. Novamente quem paga a conta é a classe economicamente, desprivilegiada. Outra vez, mulheres, crianças e velhos sofrem mais. A situação não é só no Brasil, é mundial. É uma guerra.

Nós, pesquisadores do clima, já prevíamos isso. Dei aula sobre este assunto há uns cinco anos. A gente só não sabia quando, por isso, o que está acontecendo surpreende pela emoção. Porque uma coisa é você estudar esses problemas e  projeta uma perspectiva futura, outra coisa é você presenciar o momento vivido no cotidiano. Obviamente, é uma diferença brutal que desmonta a gente. (emocionada). Muitos pesquisadores estão em tratamento porque não conseguem ficar bem diante disso. Assim, fazemos um esforço para trazer uma palavra de esperança, de conforto, de falar para a população que nós vamos dar um jeito, sem perder o horizonte. O ser humano é capaz de dar reviravoltas, de inventar de criar. Se a gente fosse cobaia de laboratório, o experimento nunca daria certo porque nós não temos um comportamento previsível. Nós temos que nos rebelar, temos que criar, que ter esta capacidade de fugir da mesmice. Esta é a nossa beleza e é o que temos que fazer agora. 

Dielcio Moreira - Há um conceito interdisciplinar, holístico, que ganha corpo mundialmente entre pesquisadores de diferentes áreas. É o conceito de Saúde Única: humanos, animais, aves, oceanos, florestas estão em um só quadrante, amarrados uns aos outros. A tartaruga, por exemplo, é considerada um dos sentinelas do mar: seus movimentos, reprodução e mortalidade  indicam os riscos nos oceanos. É possível trazer essa ideia para o campo da educação, em especial da educação ambiental? 

Michele Sato - Nós somos como uma rede, um é conectado com o outro e a eliminação de um afeta o outro. Aí está a prova, a eliminação de morcegos em uma floresta em Yunnan, na China, diminuiu a população do pangolin, que era o intermediário entre o morcego e o ser humano causou a pandemia. Este é o elo frágil que a terra possui, mas, as pessoas não estão fazendo esta ligação. Incorporar esta dimensão da totalidade, que somos um orgânico ligado, dependemos da terra e da água, precisamos destas conexões. A saúde ecossistêmica é valiosa e depende do cuidado, principalmente, que nós humanos temos com outros seres.  

*

René Magritte album covers

http://www.johncoulthart.com/feuilleton/2014/07/12/rene-magritte-album-covers/?fbclid=IwAR3wXL88QQcHEXjHBCRhPTxLlPdQkzKP1-PfOIZPloxiR7yIsyf7AmEJ2KM

René Magritte album covers

beck.jpg
Beck-Ola (1969) by The Jeff Beck Group. Painting: The Listening Room (second version, 1958).
An inevitable post considering the shape of the week, and also a continuation of an occasional series about paintings used as album cover art. Given Magritte’s continuing popularity I’m sure these can’t be the only examples, especially when his work had such an effect on the cover designs of the 1970s. In addition to the Magritte-like covers created by Hipgnosis for Pink Floyd and others you can find the artist’s influence in the cover by Alton Kelley and Stanley Mouse for The Grand Illusion (1977) by Styx, a hugely successful album whose painting is derived from Magritte’s The Blank Cheque (1965). There are many more examples.
Magritte died in 1967 so he missed out on this explosion of interest which also spread into the advertising world. When it comes to influence, Magritte has probably had more of an effect on the general culture than any of the other Surrealists, Dalí included.
rascals.jpg
See (1969) by The Rascals. Painting: The Big Family (1963).
hull.jpg
Pipedream (1973) by Alan Hull. Painting: Philosopher’s Lamp (1936).
balavoine.jpg
Vienne La Pluie (1975) by Daniel Balavoine. Painting: Hegel’s Holiday (1958).
hull2.jpg
Phantoms (1979) by Alan Hull. Painting: The King’s Museum (1966).
glassmoon.jpg
Glass Moon (1980) by Glass Moon. Painting: Evening Falls II (Le Soir qui tombe, 1964).
sphere.jpg
Four In One (The Music Of Thelonious Monk) (1982) by Sphere. Painting: The False Mirror (1928).
boneynem.jpg
Victory Day (2003) by Boney NEM. Painting: The Collective Invention (1934).
racoon.jpg
Liverpool Rain (2011) by Racoon. Painting: Golconda (1953).
Elsewhere on { feuilleton }
• The album covers archive

Friday, 17 April 2020

VÍRUS: SIMULACRO DA VIDA?

CADERNO DE BALBÚRDIA

SATO, Michèle; SANTOS, Déborah; SÁNCHEZ, Celso. Vírus: simulacro da vida? Rio de Janeiro: GEA-Sur, Unirio & Cuiabá: GPEA, UFMT, 2020.

Wednesday, 15 April 2020

Três poemas sobre o vírus, de Rafael Lovisi Prado

Três poemas sobre o vírus, de Rafael Lovisi Prado

Orfeo trovatore stanco
Em nosso post de hoje de Pandemia, Cultura e Sociedade – uma parceria do Blog da BVPS com a revista Sociologia & Antropologia (PPGSA/UFRJ) – Rafael Lovisi Prado contribui com três poemas inéditos de uma série sobre o vírus, seguidos de uma pequena nota crítica assinada pelo nosso editor da coluna Interpretações do Brasil e PoesiaLucas van Hombeeck.
Uma boa leitura!


Marina Abramović
receituário de acontecimentos
quando se instala um estado
de suspensão, saudável é atravessar a
greta entre os corpos e arriscar segurar
teso o arco letal da tensão
salutar também deitar os ossos sobre
o calor das velas e sentir às costas o
o risco inflamando – pentear os cabelos
(antes atados, aos poucos no chão) até
que a beleza se dilua diante do espelho e
e acabe em experimentação
saúde assim seria percorrer de ponta
a ponta as muralhas da China, rito
dos amantes que após anos
sentados em companhia
preparam caminhando
a chegada
da solidão


René Magritte
pintar o lado de lá
dentro da habitação os objetos
passaram a ter outras proporções
tanto pente pincel taça quanto céu
que no quarto refletido tornou as
paredes nuvens pairando num
pélago invertido
naquela clausura com indefinida
abertura via a si mesmo à beira d’água
mas parado na areia, pernas de homem
cabeça de peixe, respirar nem mergulhar
podia, caso um beijo desse vinha-lhe à
boca sangue da memória
dos findos dias
foi então que abriu o cavalete e fez do
mar sua extensão, maneira que encontrou
de se dar porvir – ovo pintado prestes a
eclodir – pois pensar no passado a esta
altura seria como olhar a tela fria
e ver projetada somente
a própria nuca


Hélio Oiticica
gimme shelter
não se está só
na casa-mundo, abrigo
da beira, aberto, que como capa
multimodal veste o corpo
multivalente ambiente, tenda
multicolor vivenda onde se pisa
areais, pedras, passa-se via
penetráveis fendas, lança-se em
lentos labirintos, diz-se aos
quantos cantos a todos
os ventos: a margem não é
maldição, mas prova de que
a coisa nova se funda, afunda
o fundado.
pura montagem
premonição profunda
do advento

Rafael Lovisi Prado é poeta, pesquisador e professor da área de Literatura Comparada e Teoria da Literatura.

Pequena nota crítica, por Lucas van Hombeeck[i]
Estreando a contribuição em verso para a coluna Pandemia, Cultura e Sociedade, Rafael Lovisi Prado envia para o blog da BVPS três poemas de uma série sobre o vírus: Marina Abramović/receiturário de acontecimentos, René Magritte/pintar o lado de lá e Hélio Oiticica/gimme shelter. Neles, o estar-só nunca é sozinho, da mesma forma que a individualidade, como aprendemos com a sociologia, é uma condição social: no primeiro poema há uma cuidadosa preparação da solidão pelos amantes, enquanto no segundo os objetos mostram sua agência e delírio e, no último, os primeiros versos dizem de partida que “não se está só/na casa-mundo, abrigo”. É que, neles, a poesia convive com os trabalhos de não-poetas (uma performer, um pintor, e um artista bastante difícil de classificar) propondo a convivência também entre esses artistas por meio de seus trabalhos, em diferentes modulações de um problema que grande parte do mundo enfrenta hoje: o isolamento e a precariedade das formas de subjetivação da vida cotidiana e danificada. Se quisermos sair da pandemia inventando novas relações, é bom começarmos a imaginá-las. Agradecemos ao Rafael por compartilhar conosco sua contribuição para a tarefa.
_________
[i] Doutorando em Sociologia no PPGSA/IFCS-UFRJ.

A imagem que ilustra o post é:
Giorgio De Chirico, Orfeu trovador cansado, 1970. Óleo sobre tela. 149 x 147 cm. Fondazione Giorgio e Isa de Chirico, Roma.

* Os textos publicados pelos colaboradores não refletem as posições da  BVPS.

Thursday, 2 April 2020

ROSE - and art


RENÉ MAGRITTE  and roses

 
psychologist 1948                    ||                     Roses of Picardie 1925

 
voyage des fleurs 1928b          ||                  woman with a rose instead of the heart 1924 

 
 
 belle de nuit, 1940
~ René Magritte
 Mémoire 1948
~ René Magritte

 
 
 Premeditation 1943
~ René Magritte
 proud ship 1942
~ René Magritte



 
 
psychologist 1948 
~ René Magritte
 roman populaire 1944
~ René Magritte

  

 
 
 Storm night, strange perfume by member, 1946
~ René Magritte
 utopia 1945
~ René Magritte



 
 
woman of the Soldier, 1945
~ René Magritte
Beautiful language 1952
~ René Magritte



 
 
 blow to the heart 1956
~ René Magritte
double view 1957 
~ René Magritte



 
 
Castle, rose and jug 
~ René Magritte
 Enchanted Domain 1957
~ René Magritte



 
 
 pandora's box 1951
~ René Magritte
 Invitation to travel 1961
~ René Magritte



 
 
 Michael Cooper photograph of René Magritte with Rose, Belgium, 1967
 siecle cover 1965
~ René Magritte



 
 
 poire et rose 1966
~ René Magritte
 poire et rose 1968
~ René Magritte



 
 
 tomb of the Wrestlers 1960
~ René Magritte
 une rose dans I'universe 1961
~ René Magritte



 
 
 lion, a streetlight and a rose
~ René Magritte
 rose and building
~ René Magritte



 
 
roses 
~ René Magritte
 sens de la pudeur
~ René Magritte



 
 
 words of wisdom
~ René Magritte
 blow to the heart digital
tribute to Magritte


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artists and roses

 
 
 Andy Warhol 
Rosa -1987--USA
claude monet 
the rose bush - FR 



 
 
 claude monet 
still life roses FR
 dong seo 
tomb of the wresylers CHINA



 
 
 edvard munch 
athenaeum woman with peonies NORWAY
 eugene gauguin 
Bouquet de roses  1884- FR



 
 
 frida-kahlo
MX
 gildásio jardim
transvendo o café de ivone BR



 
 
 georgia o'keeffe 
rose 1927 - USA
 georgia o'keeffe
white 1927 - USA



 
 
 gustav klimt 
Orchard with Roses 1912 AUSTRIA
 Gustave Doré 
Rosa Celeste FR



 
 
henri matisse
Safrano Roses at the Window, 1925 FR
henri rousseau
Happy Birthday, 1892 FR



 
 
 joan miró
fourmi rose 1978  ES
 Joseph Cusimano  
rose CA



 
 
 leonardo da vinci 
rose IT
 man ray 
rose 1929 -USA



 
 marc chagall
the woman and the-roses 1929 RU
marc chagall
blue rose RU



 
 
 mauritis escher 
1961, flower - HOLAND
michelangelo caravaggio
Boy with a carafe of roses, 1593 IT



 
 
 octaviano fiorescu
Together, CA
 pablo picasso 
The Peasants 1906 - ES



 
 
 paul cézanne 
rose bush - FR
 paul gauguin 
1890 Rose and Statuette- FR



 
 
 paul klee 
wind rose 1922 - SWISS
 rafal olbinski 
tales of love 2007 - POLAND



 
 
 salvador dalí
meditative 1959, ES
 steve kin 
love and rose - S. KOREA



 
 
 teresa bernard 
yellow Rose Texas -- MX
 vincent van gogh
White roses, 1890 - HOLAND



 
 
 Vladimir Kush 
rose awaiting - RU
 wayne brant 
lady in red - USA


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