Showing posts with label sociedade. Show all posts
Showing posts with label sociedade. Show all posts

Monday, 3 March 2014

O mito da juventude: “O problema de envelhecer é dos velhos”

ihu
http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/o-mito-da-juventude-o-problema-de-envelhecer-e-dos-velhos-entrevista-especial-com-ted-polhemus/528670-o-mito-da-juventude-o-problema-de-envelhecer-e-dos-velhos-entrevista-especial-com-ted-polhemus


O mito da juventude: “O problema de envelhecer é dos velhos”. Entrevista especial com Ted Polhemus

“Se há um problema que me preocupa sobre a juventude de hoje é que muitos dos jovens parecem viver sob a sombra da minha geração”, afirma o antropólogo.
Foto: Lulu 
“A ideia de que nós, os Boomers, criávamos, inventávamos e éramos definidos por nossa ‘juventude’ era tão pervasiva, que nos tornamos a primeira geração que nunca lidou bem com o envelhecimento.” A declaração é do antropólogo Ted Polhemus, em entrevista concedida à IHU On-Line, por e-mail, e faz parte de sua análise em compreender o mito da juventude presente na sociedade. Segundo ele, diante da “inabilidade de crescer e envelhecer, os Boomers tentaram colar em si mesmos uma etiqueta de ‘Jovens para sempre’que, em certo sentido, nega a juventude àqueles que realmente são jovens”.
Autor do livro BOOM! A Baby Boom Memoir, Polhemusevidencia um processo de “juvenilização”, ou seja, “a transferência da cultura da juventude do domínio estrito dos jovens para a penetração em todos os grupos etários e na cultura em seu sentido mais amplo”.
E explica: “não é que simplesmente um novo mercado foi criado dentro da indústria da moda para lidar com aqueles que eram jovens, mas que jovens modelos e criações apropriadas apenas para corpos jovens empurraram tudo o mais para a indústria da moda”.
O resultado desse processo, adverte, são “adultos-infantis, que vão envelhecendo e que tentam desesperadamente ‘enturmar-se com as crianças’. Minha esperança é de que assim que a minha geração for — finalmente — para aquele grande Festival de Rock no céu, o mundo possa voltar a ter uma percepção mais normal e sensível de que a criatividade e os valores não estão limitados a nenhuma faixa etária”. E dispara: “Hoje — diferentemente dos anos 1950 e 1960 — apenas os velhos estão presos no modelo de juvenilização”.
Ted Polhemus é antropólogo com formação pela Temple University, Filadélfia.
Foto: Urban Fieldnotes
Confira a entrevista.
IHU On-Line - Por que há um mito em torno da juventude?
Ted Polhemus - A partir das décadas de 1950 e 1960, surgiu o mito de que é na juventude que tudo acontece — que todos os avanços criativos vêm dos jovens. Isso derrubou o (também absurdo) mito de que a juventude nada tem a contribuir. O verdadeiro mito (e perigo) é a presunção de que a criatividade é definida pela idade. No fundo, somos mais importantes que nossa idade.
IHU On-Line - Que entendimento os Boomers tinham da juventude? Em que medida a cultura que os envolvia contribuiu para sua compreensão de juventude?
Ted Polhemus – Nós, Baby Boomers, crescemos em um mundo (logo após a Segunda Guerra Mundial) no qual nos diziam constantemente que éramos a "juventude" e, como tal, éramos especiais. A coisa realmente interessante é que toda a criatividade associada ao rock n’roll, ao Swinging London Fashion (expressão comumente utilizada para descrever a efervescência cultural dos anos 1960 na Inglaterra), veio de uma geração ligeiramente mais velha, que havia nascido durante ou mesmo antes da Segunda Guerra. Os primeiros Baby Boomers, como eu (nascido em 1947), não tinham se tornado adolescentes até 1960, enquanto o rock n’roll, os primeiros estilos de rua, o jazz moderno, os poetasbeats, haviam todos sido criados por adultos jovens que já não eram mais adolescentes há tempos. Mas a ideia de que nós, os Boomers, criávamos, inventávamos e éramos definidos por nossa "juventude" era tão pervasiva, que nos tornamos a primeira geração que nunca lidou bem com o envelhecimento.
IHU On-Line - O senhor diz que essa geração afetou “como um tsunami” as outras gerações, “distorcendo e metamorfoseando toda a cultura ocidental”. Como e em que medida isso aconteceu? Quais são os reflexos nas gerações futuras?
Ted Polhemus - Uma vez firmada a ideia de que a juventude, e apenas a juventude, tinha a chave mágica para onde tudo acontece, todas as gerações mais velhas passaram a ser vistas como "quadrados", velhos, sem esperança e que não compreendiam nada, e todas as gerações subsequentes (ou, ainda mais importante, os homens e mulheres da publicidade, que desejavam atingi-los) aceitaram sem questionar a presunção de que a vida termina quando sua juventude acaba. Veja a moda, por exemplo: estilistas como Dior, cujo "new look" tomou o mundo de assalto em 1947, criava para mulheres, não garotas (que tradicionalmente seguiriam as tendências estabelecidas por suas mães). De fato, a moda sempre focou nas mulheres e não nas garotas, nos homens e não nos meninos. Mas os estilistas dos anos 1960 (que, ironicamente, não eram eles mesmos adolescentes), como Mary Quant, criaram moda focando nas garotas adolescentes. Hoje existem grandes debates sobre modelos tamanho zero e assim por diante, mas a essência dessa preocupação não são as medidas corporais — é a idade. "Tamanho zero" denota garotas, não mulheres. Pessoalmente, penso que é hora de dissociar a moda e o estilo dessa restrição centrada na idade.

“Tenho 67 anos e não faço a menor ideia sobre os jovens de hoje”

IHU On-Line - A geração atual de jovens ainda sofre os efeitos da geração Boomers? Em que aspectos?
Ted Polhemus - Em sua inabilidade de crescer e envelhecer, os Boomers tentaram colar em si mesmos uma etiqueta de "Jovens para sempre" que, em certo sentido, nega a juventude àqueles que realmente são jovens. Quando isso aconteceu, nos anos 1970 — todos aqueles velhos hippies controlando a indústria da música —, o triunfo final da juventude e da geração que era realmente jovem foi o punk. Mas o problema, hoje, é mais insidioso na medida em que iguala "onde as coisas acontecem" com"juventude" e procura aprisionar aqueles que são jovens numa categoria que é dominada puramente pela idade. De fato, a partir do que eu vejo, a juventude de hoje tem tido a sensibilidade de se apartar desse modelo etário — nos processos de escolhas de estilo, música, ideologia, padrões de consumo, etc., estão os indicadores de identidade realmente significativos, e estes cruzam a passos largos as fronteiras de idade.
IHU On-Line - Existe um processo generalizado de conflito de gerações na sociedade ocidental? Se sim, em que termos?
Ted Polhemus - Havia nos anos 1970, quando os jovens rebeldes do punk miravam os "velhos chatos". O que me impressiona é como o conflito geracional parece ser tão pequeno hoje. E é preciso ser mais do que jovem para responsabilizar a nós, os velhos, por estragar o mundo. Apontou-se estatisticamente que a geração Boomer teve seu próprio modo de fazer as coisas: iam sorrindo aos bancos e destruíam o planeta como ninguém antes deles havia feito.
De fato, se me é permitido dizer, penso que esse tipo de argumento (como tem sido exposto em um grande número de livros campeões de vendas recentemente) recai na mesma absurdidade de centrar-se na idade.
Havia Boomers que dirigiam ônibus e ganhavam salários muito baixos, enquanto outros — como Mark Zuckerberg — que não são Boomers, mas têm feito dinheiro suficiente para manter uma pequena nação funcionando. É absolutamente verdade que foi durante o tempo de vida dos Boomers que a destruição de nosso planeta conheceu uma aceleração. Mas, novamente, não acho que seja justo colar este juízo em cada um dos Baby Boomers. Contudo, a despeito dessas retratações, eu consigo entender facilmente que as gerações mais jovens ressintam o fato de que tantos Boomers estão gozando de rendas confortáveis (para não dizer que estão usufruindo de todas as vantagens da medicina), enquanto muitos de sua geração não conseguem nem arrumar emprego.
IHU On-Line - Em que consiste esse processo de “juvenilização” de que o senhor fala?
Ted Polhemus - Por "juvenilização" eu entendo a transferência da cultura da juventude do domínio estrito dos jovens para a penetração em todos os grupos etários e na cultura em seu sentido mais amplo. Por exemplo, como mencionei antes, não é que simplesmente um novo mercado foi criado dentro da indústria da moda para lidar com aqueles que eram jovens, mas que jovens modelos e criações apropriadas apenas para corpos jovens empurraram tudo o mais para a indústria da moda; veja a música pop.
Nós esquecemos que este não é um fenômeno natural: durante 99,9% da sua história, nossos ancestrais humanos reverenciaram o antigo por sua sabedoria. Hoje, o resultado final são os "adultos-infantis", que vão envelhecendo e que tentam desesperadamente "enturmar-se com as crianças". Minha esperança é que assim que a minha geração for — finalmente — para aquele grande Festival de Rock no céu, o mundo possa voltar a ter uma percepção mais normal e sensível de que a criatividade e os valores não estão limitados a nenhuma faixa etária.
IHU On-Line - É possível romper com esse processo de juvenilização inaugurado com os Boomers? Qual seria o mito social subsequente?
Ted Polhemus - É só parar, como eu digo, de pensar que quem nós somos é definido pela nossa idade. O principal personagem e narrador do romance do final dos anos 1950, Absolute Beginners, teme que ao fazer 19 anos ele ultrapassaria o seu prazo de validade. Que tamanha bobagem — não o romance, que é ótimo, mas a noção de que a certa idade você está passado.

“Nunca antes na história humana o Homo Sapiens teve tal possibilidade de se inventar a si mesmo”

IHU On-Line - Como se dá o processo identitário de jovens hoje em dia, e como este processo se difere do conceito de "juventude" originado a partir dos Boomers?
Ted Polhemus - Isso é exatamente o que alguém tem que começar a perguntar aos jovens. Eu tenho 67 anos e não faço a menor ideia sobre os jovens de hoje. É isso que quero que alguém faça: algum tipo de pesquisa que peça aos jovens para listarem o significado de vários fatores (idade, nacionalidade, classes, marcas, música, estilo, religião, raça, valores, etc.), do mais importante para o menos importante. Aqui vai uma observação que fiz por mim mesmo: na cidade de Hastings, no Reino Unido, onde eu vivo, quando o tempo melhora (se é que melhora), há um monte de crianças, predominantemente novas, andando de patins e skates no calçadão à beira da praia. Eu digo crianças predominantemente novas — e aqui está o meu ponto —, mas noto que, quando chega alguma pessoa mais velha que é boa nos patins ou no skate, ela é bem-vinda e respeitada, ao passo que algumas crianças que não têm habilidade são ignoradas. Compare com a minha geração que dizia "Nunca".
IHU On-Line - Essa autocompreensão de “juvenilização” faz com que os jovens não desenvolvam características próprias da idade adulta? Quais, por exemplo? Como a “juvenilização” afeta a vida adulta?
Ted Polhemus - Eu penso que o outro lado dessa moeda seja mais significativo: como aqueles que não são jovens se esforçam para viver suas vidas como se fossem jovens, quando na verdade não o são. Meu palpite seria de que hoje — diferentemente dos anos 1950 e 1960 — apenas os velhos estão presos no modelo de juvenilização.
Novamente, penso que a juventude de hoje lida bem, enquanto o problema de envelhecer é dos velhos. Se há um problema que me preocupa sobre a juventude de hoje é que muitos desses jovens parecem viver sob a sombra da minha geração. Estudantes dizem para mim: "deve ter sido tão legal viver nos anos 1960". Bem, sim e não. A história tem uma mania de ignorar todas as coisas chatas e repetir em um "loop" infinito aquele clipe de Woodstock no qual a mágica acontecia. Nos anos 1950 quando, na minha visão, as reais revoluções aconteceram, tratava-se ainda mais da questão de uma pequena minoria estatisticamente inundada por uma corrente extremamente tediosa. E não nos esqueçamos de que Jack Kerouack e Neal Cassidy, de On the road, desperdiçaram muito de suas vidas — e estragaram a vida de muitos outros ao seu redor, especialmente das mulheres que passaram por suas vidas. O que é tão significativo e excitante é que o que era a preocupação de uma maioria, hoje tornou-se a preocupação da massa. Muitas pessoas hoje — de todas as idades — se esforçam para criar uma identidade única para si e expressam essa identidade em seus estilos ou palavras, música, ou seja lá o que for. E isso é global.
Lembre-se que lá atrás, nos anos 1950 e 1960, a maioria se conformava muito mais do que se expressava a si mesma, e mesmo os BeatsHippiesBikers eram conformes às demandas de suas subculturas. A moda dizia às pessoas o que era in ou out. Nunca antes na história humana o Homo Sapiens teve tal possibilidade de se inventar a si mesmo.

Saturday, 25 January 2014

O lobo de Wall Street: dinheiro como droga pesada

OP
http://outraspalavras.net/destaques/o-lobo-de-wall-street-dinheiro-como-droga-pesada/


O lobo de Wall Street: dinheiro como droga pesada

Facebook218Twitter5Google+1Pinterest0LinkedIn0Email
150125-Scorcese
Martin Scorcese retoma suas histórias de ascensão e decadência, tendo agora por cenário selva de poder e vaidade dos mercados globais
Por José Geraldo Couto, no blog do IMS
Não deve ser por acaso que os filmes mais recentes de vários cineastas importantes de nosso tempo têm como protagonistas magnatas sem escrúpulos do mercado financeiro: Cosmópolis, de Cronenberg, O Capital, de Costa-Gavras, e agora O lobo de Wall Street, de Martin Scorsese – sem contar o personagem de Alec Baldwin em Blue Jasmine, de Woody Allen. Cada um à sua maneira, eles tentam dar um rosto a esse mal impalpável e difuso chamado capital financeiro global.
A “maneira” de Scorsese em O lobo de Wall Street é a mesma que caracteriza seu melhor cinema, marcado por histórias de ascensão meteórica, queda vertiginosa e redenção possível de personagens que, por um motivo ou por outro, “saíram da casinha” e embarcaram numa espiral de autodestruição. Não é isso, afinal, o que aproxima personagens tão díspares quanto os anti-heróis de Taxi driverTouro indomávelO rei da comédia, Os bons companheirosCassino e até, de modo mais oblíquo, A idade da inocência A última tentação de Cristo?
Pouco importa que o Jordan Belfort vivido por Leonardo DiCaprio seja baseado na “história real” de um corretor da Bolsa de Nova York. No filme, ele é o homo scorsesiens por excelência, encarnação da “húbris” (excesso ou descomedimento), desejo humano de ir além das limitações impostas pela natureza e/ou pela divindade. Que lugar mais indicado para exercer essa ambição desmedida de poder e riqueza do que a bolsa de valores da maior economia do mundo?
Na selva do mercado
Como em outros de seus bons filmes, Scorsese divide dramaticamente essa trajetória em três atos: a euforia, a ressaca e a convalescença ou renascimento, marcado pela autoironia e pelo reconhecimento das limitações.
Aqui, desde as primeiras imagens – o comercial da empresa de Belfort, em que um leão passeia pelo escritório de uma corretora –, é evidente o retrato do mercado financeiro como uma selva, mas há também a associação entre a acumulação capitalista, o vício em drogas (álcool, cocaína, anfetaminas), a violência e a pornografia. A certa altura, tudo se condensa numa imagem inesquecível: Belfort colocando cocaína no vale da bunda de uma prostituta. Não será por falta de ênfase que Scorsese será criticado.
Brutalidade e humor
Isso tudo se dá numa narrativa vigorosa, com aquela montagem brutal de Thelma Schoonmaker, aquela trilha sonora nervosa (pop, rock, blues, jazz) típica de Scorsese e com um humor mais insolente do que de hábito na obra do diretor. A sequência da bad trip de Belfort com Quaalude de validade vencida é digna de uma antologia da comédia.
Um procedimento formal recorrente é o travelling em que o protagonista avança em direção à plateia, dizendo diretamente a ela o que, numa narrativa realista clássica, seria dito em off. Isso acentua a sensação de euforia e poder associada ao personagem.
Como sempre, depois da orgia vem o revertério, que não é o caso de descrever aqui, mas que coloca por terra a tola acusação de que Scorsese glamorizou a figura de Belfort. A cena em que, alucinado, ele tenta fugir com a filha pequena e bate o carro dentro da própria casa ecoa uma passagem parecida de Os bons companheiros, em que o personagem de Ray Liotta bate na mulher diante do olhar assustado da filhinha do casal. A moral cristã do diretor marca presença aqui como ali.
Interpretações biográficas são sempre perigosas, mas é impossível deixar de ver, neste e em outros filmes, duas circunstâncias centrais da experiência de vida de Scorsese: sua formação católica e o vício em cocaína que o levou a uma grave crise nos anos 70. O lobo de Wall Street não é o “reflexo” disso, mas é um retrato de nosso tempo por um grande artista que passou por isso.

Friday, 17 January 2014

Japanese soldier who took three decades to surrender, dies

guardian
http://www.theguardian.com/world/2014/jan/17/hiroo-onoda-japanese-soldier-dies?CMP=EMCNEWEML6619I2


Japanese soldier who took three decades to surrender, dies

Hiroo Onoda, a second world war intelligence officer, stayed holed up in Philippine jungle until he was coaxed out in 1974
Hiroo Onoda, still carrying his sword, walks out of the Philippine jungle to surrender in 1974.
Hiroo Onoda walks out of the Philippine jungle to surrender in 1974. Photograph: AFP/Getty
The last Japanese soldier to come out of hiding and surrender, almost 30 years after the end of the second world war, has died.
Hiroo Onoda, an army intelligence officer, caused a sensation when he was persuaded to come out of hiding in the Philippine jungle in 1974.
The native of Wakayama prefecture in western Japan died of heart failure at a hospital in Tokyo on Thursday, his family said. He was 91.
Onoda’s three decades spent in the jungle – initially with three comrades and finally alone – came to be seen as an example of the extraordinary lengths to which some Japanese soldiers would go to demonstrate their loyalty to the then emperor, in whose name they fought.
Refusing to believe that the war had ended with Japan’s defeat in August 1945, Onoda drew on his training in guerilla warfare to kill as many as 30 people whom he mistakenly believed to be enemy soldiers.
The world had known of his existence since 1950 when one of his fellow stragglers emerged and returned to Japan. A second member of the group reportedly died in 1950.
Onoda, whose sole remaining companion was killed in a shootout with Philippine troops in 1972, held firm until two years later.
He was only persuaded to surrender when his former commanding officer travelled to his hideout on the island of Lubang in the north-western Philippines and convinced him that the war had ended.
Until then, Onoda would later explain, he believed attempts to persuade him to leave were a plot concocted by the pro-US government in Tokyo. By the time he surrendered he had been on the island since 1944, two years after he was drafted into the Japanese imperial army.
Onoda wept uncontrollably as he agreed to lay down his perfectly serviceable rifle.
He was later pardoned for the killings by the then Philippine president, Ferdinand Marcos. In his formal surrender to Marcos, Onoda wore his 30-year-old imperial army uniform, cap and sword, all of which were in good condition.
He returned to Japan in March the same year, but after struggling to adapt to life in his homeland, he emigrated to Brazil in 1975 to become a farmer. He returned to Japan in 1984 and opened nature camps for children across Japan.
Japan’s top government spokesman, Yoshihide Suga, praised Onoda’s strong will to live, telling reporters on Friday: "I vividly remember that I was reassured of the end of the war when Mr Onoda returned to Japan."
Onoda was one of several Japanese soldiers who remained holed up in their former battlegrounds long after the war ended.
Onoda, like Shoichi Yokoi, a soldier who was found on the island of Guam in 1972, dismissed reports declaring the war’s end as Allied propaganda. On his return to a hero’s welcome in Japan, Yokoi famously
said: “It is with much embarrassment, but I have returned.”
In 2005 there were unsubstantiated claims that two former Japanese soldiers in their 80s were still in hiding in the mountains on the Philippine island of Mindanao. The men were reportedly afraid that they would be court-martialled for desertion if they gave themselves up.

Sunday, 3 March 2013

Primavera árabe: ‘Há que se passar pela experiência do islamismo no poder’

carta maior
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21681&boletim_id=1553&componente_id=26599


Primavera árabe: ‘Há que se passar pela experiência do islamismo no poder’

Nesta entrevista ao ‘Le Monde’, o destacado analista libanês Gilbert Achcar comenta as dificuldades dos governos islâmicos que subiram ao poder no mundo árabe. Além disso, diz que a Turquia não é uma referência para esses países, pois lá o AKP turco se reconciliou com o laicismo, tornando-se a versão islâmica da democracia cristã europeia.

Personagem desta entrevista, Gilbert Achcar é professor na School of Oriental and African Studies (SOAS) de Londres e um dos mais respeitados analistas do mundo árabe contemporâneo. Nasceu em 1951 e deixou o Líbano em 1983. 

Ensinou na Universidade de París VIII e no Centro Marc-Bloch de Berlim. O seu compromisso com as esquerdas e movimento pró-palestina nunca o impediu de dirigir um olhar severo sobre as ditaduras nacionalistas árabes. É autor de “Le peuple veut une exploration radicale du soulèvement arabe”, editora Actes Sud.

Como qualificar o que aconteceu no mundo árabe, desde 2011?
Escolhi a palavra “levante” como título para o meu livro. Mas, na introdução falo de um processo revolucionário a longo prazo. O que estava claro desde o princípio é que estávamos muito no início de uma explosão, e o que se pode prever com certeza é que será de longa duração.

Emmanuel Todd deu uma explicação demográfica do fenômeno. Você inclina-se mais para uma explicação marxista.
A fase durante a qual o mundo árabe se distinguia por uma demografia galopante acabou há vinte anos. Comecei com a análise da situação em vésperas da explosão, em 2010. Constata-se um bloqueio do desenvolvimento que contrasta com o resto do mundo; inclusivamente com a África subsariana. A expressão mais espetacular desse bloqueio é uma taxa de desemprego recorde, particularmente entre os jovens. Além disso, há uma modalidade específica do capitalismo na região: em diferentes níveis, todos os Estados são rentistas. A outra caraterística é um patrimonialismo no qual o clã dominante se apropria do Estado até ao ponto de o transmitir de forma hereditária.

As revoluções árabes traduziram-se em liberalizações políticas, mas não em grandes mudanças sociais. Por quê?
No Egito e na Tunísia, só foi quebrada a ponta do icebergue; quer dizer, os déspotas e o seu grupo próximo. Por outro lado, nesses dois países, o “Estado profundo”, a administração, os aparelhos de segurança, não mudaram. Neste momento, só na revolução Líbia se deu uma mudança radical: hoje, já não há Estado; já não há exército. Nesse país, o descalabro social foi mais profundo, porque o reduzido espaço privado que existia era ocupado pela família Gadafi.

No Ocidente estranhou-se o triunfo dos islamitas nas eleições, quando não foram eles a lançar essas revoluções…
As expectativas do Ocidente, esse romanticismo em volta da “primavera” e o “jasmim”, todo esse vocabulário orientalista, baseavam-se num desconhecimento da situação. Era evidente que os integristas iam apanhar as castanhas do fogo porque, desde finais dos anos 70, impuseram-se como uma força hegemónica no protesto popular. Encheram o vazio deixado pelo fracasso do nacionalismo árabe. Por outro lado, a principal razão pela qual os governos ocidentais apoiavam os despotismos árabes era o receio dos integristas. Crer que essa situação iria ser varrida pelos acontecimentos, era tomar os desejos por realidades. Com o apoio financeiro do Golfo e o apoio televisivo da Al Jazeera, não se podia esperar outra coisa que vitórias eleitorais integristas. O que é chamativo é que essas vitórias não tenham sido esmagadoras. No Eipto, desde as legislativas ao referendo sobre a Constituição, passando pelas presidenciais, estamos a ver a velocidade a que se desmorona o voto integrista. Na Tunísia, Ennahda consegue 40% numas eleições em que participaram metade das pessoas inscritas. E, na Líbia, a Irmandade Mulçumana local foi derrotada.

Surpeendem-lhe as atuais dificuldades dos islamistas no poder?
Em primeiro lugar, há que dizer que o regresso aos despotismos não é algo exequível. Há que passar pela experiência do islamismo no poder. As correntes integristas construíram-se como forças de oposição com um slogan simplista: o islão é a solução. É algo completamente oco, mas funcionava num contexto de miséria e de injustiça no qual se podia vender essa ilusão. Os islamistas são traficantes do ópio do povo. Desde o momento em que estão no poder, isso já não é possível. São incapazes de resolver os problemas das pessoas. Chegaram aos postos de comando em condições que ninguém inveja e não têm nenhum programa econômico.

Pode-se confiar neles no momento de organizar escrutínios que os poderão expulsar do poder?
Esse é o argumento clássico: uma pessoa, um voto, mas uma só vez. Salvo que cheguem ao poder em posição de força. O povo aprendeu a “querer” sair à rua. Jamais um dirigente, na história do Egito, foi tratado com tanto desprezo pelo seu povo como atualmente Morsi…

Pode-se copiar o modelo turco para o mundo árabe?

Não, na Turquia não é a Irmandade Mulçumana que dirige o país, mas uma cisão modernista que se reconciliou com o princípio do laicismo. O AKP turco é a versão islâmica da democracia cristã europeia. A Irmandade Mulçumana não é isso. É uma organização integrista que milita pela Sharia e para quem a palavra laicismo é uma injúria. No terreno econômico, não tem nada a ver: o AKP encarna um capitalismo de pequenos industriais, enquanto a Irmandade Mulçumana participa numa economia rentista, fundada no lucro a curto prazo.

Pode descrever a influência do Qatar nestas revoluções?
É um enigma. Alguns dirigentes colecionam carros ou armas; o Emir do Qatar, por seu lado, joga na política externa. Apresentou-se como comprador da Irmandade Mulçumana da mesma forma que compraria uma equipe de futebol. Um homem que jogou um papel fundamental nesta nova aliança (que faz recordar a que houve entre Mohamed ben Abdel Wahab e a dinastia dos Saud no século XVIII) é o sheik Qaradhawi, chefe espiritual dos Irmandade Mulçumana, instalado desde há muito no Qatar, e que tem grande influência na Al Jazeera. Tudo isso acontece num país em que o Emir não tolera qualquer oposição.

Como explicar a complacência dos Estados Unidos para com a Irmandade Mulçumana?
É algo que começou sob a administração Bush. Para os neoconservadores, o despotismo nacionalista produziu o terrorismo e, portanto, havia que derrubar déspotas como Saddam Hussein para poder estender a democracia. Condoleezza Rice quis retomar a aliança com a Irmandade Mulçumana, que se deu nos anos 50 e 60. Mas a vitória do Hamas nas eleições palestinianas bloqueou o processo. A administração Obama, que herdou uma situação catastrófica no Médio Oriente, mostrou uma atitude indecisa e prudente. Quando tudo estalou, optou por tentar dar a impressão de acompanhar o movimento. A obsessão de Washington na região é a estabilidade e o petróleo. E a tradução desta obsessão, é a procura de aliados que disponham de uma base popular.

Por que é que a intervenção da OTAN foi possível na Líbia e não na Síria?
A Síria encontra-se perante um risco de caos tipo Líbia, mas num contexto regional bastante mais perigoso. Está também o apoio da Rússia e do Irão. Desde o começo, a OTAN disse que não queria intervir. A questão não é “porque é que o Ocidente não intervém na Síria?”, mas “porque é que impede a entrega de armas à rebelião?”. A razão profunda é o medo do movimento popular na Síria. E o resultado é que a situação está a apodrecer. O regime sírio acabará por cair, mas a que preço? A miopia dos governos ocidentais é alucinante: com o pretexto de não reproduzir os erros cometidos no Iraque, quer dizer, o desmantelamento do estado baasista, fazem algo pior. Hoje, os sírios estão persuadidos de que o Ocidente deixa que o seu país se auto-destrua para proteger Israel.

A esquerda anti-imperialista vê um complô americano nestas revoluções…Se, por oportunismo, as insurreições populares são apoiadas por potências imperialistas, não justifica que apoiemos as ditaduras. A teoria do complô americano é grotesca. Basta ver o aperto de Washington. É claro que, depois de quarenta anos de totalitarismo, o que chega é o caos, mas, como diria Locke, prefiro o caos ao despotismo, porque no caos tenho uma opção.


* Tradução: António José André, do Esquerda.net

Sunday, 24 June 2012

Nota da Consulta Popular sobre Golpe no Paraguai

PROPALANDO
http://www.propalando.blog.br/2012/06/nota-da-consulta-popular-sobre-golpe-no.html#more


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Nota da Consulta Popular sobre Golpe no Paraguai



NOTA DA CONSULTA POPULAR:

TODO APOIO AO PRESIDENTE FERNANDO LUGO E AO POVO PARAGUAIO QUE SOFRE UM GOLPE DEESTADO!

A Consulta Popular, por meio da sua Direção Nacional, vem expressar a sua profunda indignação frente a mais um golpe de Estado em nosso continente.
Desde a ascensão de Fernando Lugo à presidência da república (em 2008), os setores conservadores, que dominaram o Paraguai numa ditadura que durou mais de seis décadas, inviabilizam as mudanças naquele país irmão.  O Presidente Lugo esteve todo esse tempo (desde a sua eleição) sob a ameaça de golpe, em virtude da fragilidade de apoio ao governo no congresso.
Lugo vêm sofrendo grandes dificuldades, visto que o parlamento paraguaio ainda se concentra nas mãos do Partido Colorado que tenta - numa farsa muito bem orquestrada - provocar um golpe, mascarando-o com elementos institucionais. Neste intento, arrastou para o seu lado, o PLRA – Partido Liberal Radical Autêntico, que conta com 14 representantes no congresso, o qual retirou o seu apoio ao presidente, além de aprovarem juntos (Colorados e Liberais), e numa rapidez absurda, a instauração de impeachment contra Lugo.
Vale destacar, que esses setores direitistas são intimamente ligados às oligarquias e aos latifundiários, grandes produtores de soja para exportação, dentre os quais, brasiguaios como Tranquilo Favero, o mais rico do país.
Foram justamente estes setores que instigaram os Policiais do Grupo de Operações Especiais à matança de camponeses pobres ocorrida na semana passada. O que se passou em Curuguaty trata-se de um plano de desestabilização de seu governo, visto que recentemente Lugo assumiu uma postura mais firme, visando avançar na reforma agrária, resolver o problema das terras irregulares (Morunbí) e outras medidas progressistas, o que tem gerado oposição ferrenha dos partidos tradicionais.
Dentre as inúmeras acusações abstratas que fazem contra o Presidente no processo de impeachment, todas elas existem sem provas. Ademais, mesmo se comprovando algo (o que é impossível, em virtude da farsa), se trataria de crimes comuns, os quais exigiriam um rito próprio, não sendo devido, portanto, o processo político de impeachment. Além disso, alegam que Lugo tem politizado o exército e mantém ideologia marxista e bolivariana, ficando claro, portanto, os seus interesses de classe.
No mesmo momento em que se instaurou a crise política no país irmão, o governo dos Estados Unidos da América, através, de seu porta-voz para a América Latina do Departamento de Estado, William Ostick, afirmou que se deve respeitar o processo contra o presidente Lugo. Tornando-se claro os interesses do Império na queda do Presidente Lugo que visa uma integração continental que fere aos objetivos dos EUA.
Neste momento, é dever de todas as forças populares manifestar à sua absoluta contrariedade ao Golpe, expressando completo e irrestrito apoio ao Presidente Lugo e ao povo Paraguaio.
A queda de Lugo significa um retrocesso na correção de forças do continente, uma vez que abre espaço para que as forças direitistas voltem assumir o executivo, através do Federico Franco, do Partido Liberal. Mais do que isso, representa um passo a trás frente ao projeto continental que visa dá respostas aos anos de avalancha neoliberal e à atual crise capitalista.
Caberá a Fernando Lugo e ao povo Paraguaio, reverter a situação e ir em frente no projeto de tornar o Paraguai Livre, Democrático e Soberano. Este foi o intento do povo paraguaio expresso nas urnas. Neste momento, o povo nas ruas reafirma o apoio ao presidente e exige que as medidas populares sejam implementadas.
 É fundamental que os países que compõem a UNASUL - União de Nações Sul-Americanas manifestem uma postura firme e contundente contrária ao Golpe de Estado em curso, expressando solidariedade e respaldo político ao Presidente democraticamente eleito nas urnas, exigindo-se o retorno imediato de Lugo às suas atribuições.
À militância “é preciso passar a ação”. Que se organizem nos próximos dias atos de solidariedade, decorações, ações de rua, atividades na embaixada Paraguaia no Brasil etc, demonstrando completo apoio ao Presidente Fernando Lugo e contra o Golpe, o qual nada mais é do que uma demonstração das forças à serviço do Império visando impedir os avanços democráticos e populares em nosso continente. 

Colorados e Liberais são inimigos do povo Paraguaio!
Os golpistas não passarão!
Todo apoio ao Presidente Lugo!
Um golpe contra o Paraguai é mais um golpe contra a América Latina!
Abaixo o Imperialismo!

América Latina Livre, Venceremos!


Direção Nacional da Consulta Popular.
São Paulo, 22 de junho de 2012. 

‘Yearning for a more beautiful world’: Pre-Raphaelite and Symbolist works from the collection of Isabel Goldsmith

https://www.christies.com/features/pre-raphaelite-works-owned-by-isabel-goldsmith-12365-3.aspx?sc_lang=en&cid=EM_EMLcontent04144C16Secti...