Monday, 19 January 2015

Produção literária das periferias de SP é discutida em Paris e Oxford

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Produção literária das periferias de SP é discutida em Paris e Oxford

Fora do Eixo
Movimento crescente de saraus e seu contexto social serão tema em mesa de debate durante o IV Colóquio Internacional sobre Literatura Brasileira Contemporânea
13/01/2014
Por Simone Freire,
De São Paulo (SP)
Dezenas de pesquisadores de instituições acadêmicas da América Latina, América do Norte e Europa estarão reunidos em Paris (França) e em Oxford (Inglaterra) para participarem do IV Colóquio Internacional sobre Literatura Brasileira Contemporânea. Em movimento crescente nas periferias brasileiras, a representação social e a produção literária dos saraus terão espaço garantido na edição.
 
Participação da escritora Tula Pilar, na Feira de Livros de Buenos Aires.
Foto: Lucas Amaral de Oliveira
O colóquio tem início nesta quarta-feira (14), na capital francesa, e segue a partir do dia 19, em Oxford. Ele pretende discutir as obras da literatura brasileira produzidas a partir de 2000. O recorte cronológico condiz com o momento de amadurecimento e expansão de saraus e, consequentemente, da produção literária nas periferias do país, especialmente em São Paulo.
Embora majoritariamente formado por acadêmicos, a discussão da produção cultural na periferia ficará a cargo do escritor Michel Yakini, co-fundador do Sarau Elo da Corrente, realizado em Pirituba, Zona Oeste da capital paulista. Na quinta-feira (15), ele coordena a mesa “Literatura marginal/periférica: páginas, versos e vozes de um movimento”, na qual discutirá um panorama de toda esta efervescência, além de refletir sobre sua consolidação a partir do cenário cultural e social.
Em atividades organizadas pelos pesquisados do colóquio, a produção periférica nunca passou despercebida. No entanto, fazer a interlocução entre quem pensa e quem faz a literatura nas periferias é um dos pontos exaltados por uma das organizadoras da atividade neste ano, a professora titular de literatura brasileira da Universidade de Brasília (UnB), Regina Dalcastagnè.
“Como analisamos essa produção do lado de fora da periferia, alguns até do lado de fora do país, é essencial ouvir o que pensa quem está dentro. Tenho certeza de que esse diálogo será muito produtivo para o nosso trabalho, e espero que ele se amplie cada vez mais”, diz.
Hoje, apenas na cidade de São Paulo, segundo estatísticas de aparelhos culturais, há, pelo menos, 100 saraus distribuídos pela cidade, que interferem no cotidiano de suas comunidades e arredores, além de produzir e inovar esteticamente a forma de fazer literatura no Brasil. Para Regina, “há uma demanda muito grande de informação e de reflexão sobre essa produção que, acredito, é o que há de mais instigante em termos literários no Brasil hoje”.
 
 
Escritores da periferia na Feira de Livros de Zócalo, no México.
Foto: Arquivo Pessoal
O número de pessoas interessadas e de pesquisadores que tem se debruçado pela produção da literatura nas periferias de São Paulo é crescente não só no Brasil, mas no exterior. Prova disso, destaca o escritor Michel Yakini, são as participações, no ano passado, de escritores paulistas durante a 40° Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, na Argentina; e na 21ª edição da Feira Internacional de Livros em Zócalo, o centro histórico e marco zero da Cidade do México.
Em ambos os momentos os poetas puderam conhecer projetos culturais de bairros afastados do centro e fazer um intercâmbio com as experiências de projetos culturais em cada país. “Há alguns anos era praticamente nula nossa produção nesses espaços e o reconhecimento tem crescido”, destaca Yakini.
No entanto, o escritor avalia que tamanha efervescência pode trazer distorções e oportunidades de interlocução como as proporcionadas pelo colóquio são essenciais. “O que me preocupa são alguns enfoques que desviam o olhar sobre nossa literatura e destacam somente nosso fazer social, ativista, como que se justificasse a produção artística pela ação comunitária e coletiva. Todo esse fazer é importante e deve ser valorizado, mas é fundamental discutir as obras que produzimos, os textos, a trajetória e o fazer criativo de cada autor e autora”, avalia.

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