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Monday, 3 March 2014

As Semelhanças entre Guimarães Rosa e Manoel de Barros

rev biografia
http://sociedadedospoetasamigos.blogspot.com.br/2014/03/as-semelhancas-entre-guimaraes-rosa-e.html



As Semelhanças entre Guimarães Rosa e Manoel de Barros [Ivana Schäfer]

As Semelhanças entre Guimarães Rosa e Manoel de Barros


Um dia desse, chuvoso,  sem muita coisa para fazer, passeando pelas páginas no facebook, uma fanpage (Eles por Eles), me chamou atenção e despertou interesse sobre dois grandes nomes da literatura brasileira. Encantei com a relação de alguns fragmentos de ambos, Guimarães Rosa eManoel de Barros, e fui procurar o que tinha de verdade nessa relação.

João Guimarães Rosa foi um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos, era, também, médico e diplomata. Os contos e romances escritos por Guimarães Rosa ambientam-se, quase todos, no chamado sertão brasileiro.  É considerado um bruxo das palavras por apresentar uma linguagem repleta de arcaísmos e neologismos, enfim as mais variadas expressões. 

“Fui médico, rebelde e soldado [...] Como médico, conheci o valor místico do sofrimento; como rebelde, o valor da consciência; como soldado, o valor da proximidade da morte..."

Manoel Wenceslau Leite de Barros, entortador de palavras, poeta que tem um abridor de amanhecer, nasceu em Cuiabá-MT, em 19 de dezembro de 1916 e mudou-se para Corumbá-MS, onde se fixou de tal forma que chegou a ser considerado corumbaense. Nequinho, como era chamado carinhosamente pelos familiares, cresceu livremente, em uma fazenda no Pantanal.

O encontro entre Manoel e Guimarães se deu num barco, nas  margens paraguaias do Pantanal sul mato-grossense e foi através de um verso de improviso do rapaz franzino com o grande escritor. 

“Andorinhas encurtam o dia” 


“Andamos para ver a roça de mandioca. Tatu estraga muito as roças por aqui. Há muito tatu, Manoel? Eles fazem buraco por baixo do pau-a-pique, varam pra dentro da roça, revolvem tudo e comem as raízes. Remédio contra tatu é formicida. Fura-se um ovo, bota formicida dentro e esquece ele largado no solo da roça. Rolinha passa por cima e nem liga. Mas o tatu espurga, vem e bebe o ovo. Sente a fisgada da morte num átimo e sai de cabeça baixa, de trote pra o cerrado, penando na morte. Homem é igual, quando descobre sua precariedade, abaixa a cabeça. Já sabe que carrega sua morte dentro, seu formicida. Essa é a nossa condição – Rosa me disse. Falou: eu escondo de mim a morte, Manoel. Disfarço ela. Lembra o livro do nosso Álvaro Moreira? A vida é de cabeça baixa? Deveria de não ser – ele disse. Chegamos perto da metafísica. E voltamos. Havia araras. Havia o caramujo perto de uma árvore. Ele disse: Habemos lesma, Manoel. Eu disse: caramujo é que ajuda árvore crescer. Ele riu. Relvas cresciam nas palavras e na terra. Rosa escutava as coisas. Escutava o luar comendo as árvores. E, como é o home aqui, Manoel? Eu fui falando nervoso. Ele queria me especular. O homem se completa com os bichos – eu disse -, com os seus marandovás e com as suas águas. Esse ermo cria motucas. Por aqui não existem ruínas de civilizações para o homem passear dentro delas. Só bichos e águas e árvores para a gente ver. Não têm coisa de argamassa, ferragens destripadas do deserto, essas coisas que aparecem nos relentos da Europa. Aqui é brejo , boi e cerrado. E anta que assobia sem barba e sem banheiro. Rosa me olhou de esguelha”.

(Manoel de Barros, in Gramática expositiva do chão, seção: Conversas por escrito (entrevistas: 1970-1989)


Iniciou-se naquele momento a amizade entre o poeta e o seu ídolo. 

Os indícios desta amizade estão na biblioteca Guimarães Rosa, conservada na Universidade de São Paulo, onde há exemplares de livros de Manoel de Barros.

 
 
 

 
Levei o Rosa na beira dos pássaros que fica no
meio da Ilha Lingüística.
Rosa gostava muito de frases em que entrassem
pássaros.
E fez uma na hora:
A tarde está verde no olho das garças.
E completou com Job:
Sabedoria se tira das coisas que não existem.
A tarde verde no olho das garças não existia
mas era fonte do ser.
Era poesia.
Era néctar do ser.
Rosa gostava muito do corpo fônico das palavras.
Veja a palavra bunda, Manoel
Ela tem um bonito corpo fônico além do
propriamente.
Apresentei-lhe a palavra gravanha.
Por instinto lingüístico achou que gravanha seria
um lugar entrançado de espinhos e bem
emprenhado de filhotes de gravatá por baixo.
E era. 


BARROS, Manoel de. Retrato do artista quando coisa. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 2002.
 

 
 
 
 
 
(Tatu-Peba)


"Quando escrevo, repito o que já vivi antes.
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo
vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser
um crocodilo porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma de um homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranqüilos e escuros
como o sofrimento dos homens."
Escreveram em gêneros diferentes, um em poesia e o outro prosa poética. 

No romance de Rosa, a poesia de Manoel de Barros também pode ser lida em vários níveis. Existem pontos de leitura que tornam indiscerníveis os limites das palavrasrosianas, dos lugares manoelês.

Segundo Marcelo Marinho, "Rosa e Barros são autobiográficos na construção de suas obras".  A originalidade lingüística do poeta e do escritor dificulta, segundo o estudioso, a tradução da obra de ambos para outras línguas, “alguns tradutores quando não entendem o sentido da palavra, a suprimem”, assegura Marinho, que estuda os campos semânticos, que são os campos de palavras próximas, das obras de Barros e Rosa. 

Uma curiosidade entre ambos, é que tinham o mesmo sistema de trabalho, um caderninho de anotações (será que essas ferramentas de trabalho são características dos grandes escritores?).



Manoel é um poeta que reinventa imagens e ele, Rosa, a sintaxe. Esse talento para imagens, como "a formiga ajoelhada na pedra" ou "quero passar a mão na bunda do vento", com um toque surreal de concretude, começou a se mostrar maduro depois que conheceu Rosa e evidenciou-se em trabalhos como "Gramática Expositiva do Chão", publicado em 1966. Essa similitude despertou a admiração de Millôr Fernandes ("O homem mais genial do Brasil", segundo Manoel), cujos textos o fizeram nacionalmente conhecido depois de publicar o "Livro de Pré-Coisas". A partir de então o poeta começou a publicar com maior assiduidade: cinco livros nos anos 90, seis na primeira década deste século. 

Hoje Manoel é reconhecido nacional e internacionalmente como um dos mais originais do século e um dos mais importantes do Brasil. Guimarães Rosa, que fez a maior revolução na prosa brasileira, comparou os textos de Manoel a um "doce de coco".
  
Rosa escreveu um único livro de poesias "Magma", publicado postumamente pela Editora Nova Fronteira. Ganhador do concurso literário criado pela Academia Brasileira de Letras, quando o autor assinava sob o pseudônimo “Viator”, em 1936. Apesar de ter conquistado o prêmio, o livro ficou inédito por mais de 60 anos, sempre foi considerado uma obra menor pelo autor de Grande Sertão: veredas, que durante sua vida, não demonstrou qualquer interesse em publicá-lo, chegando a dizer em entrevista:

"[...]escrevi um livro não muito pequeno de poemas, que até foi elogiado. [Depois] passaram-se quase dez anos, até eu poder me dedicar novamente à literatura. E revisando meus exercícios líricos, não os achei totalmente maus, mas tampouco muito convincentes." 

Só muitos anos após sua morte, em 1997, é que Magmaveio a público.

As semelhanças entre Guimarães Rosa e Manoel de Barros adquiriram formas evidenciadas em suas trajetórias literárias e pessoais.

A forma poética com que esses dois autores brasileiros recolhem a essência narrativa dessa coletividade – do sertão, para Guimarães Rosa e do pantanal, para Manoel de Barros – traduz-se em torno do seu imaginário, das crenças e mitos que reavivam a memória cultural e identificam sua maneira própria de se defrontar com a vida, o mundo, a realidade.


Alguns fragmentos de Manoel de Barros   e  Guimarães Rosa

Vida - coisa que o tempo remenda, depois rasga. 
Guimarães Rosa - Estas Estórias


Eu gosto do absurdo divino das imagens. 
Manoel de Barros - Menino do Mato
Se todo animal inspira sempre ternura, que houve, então, com o homem? 
Guimarães Rosa - Ave, palavra 

O menino tinha no olhar um silêncio de chão
e na sua voz uma candura de fontes. 
Manoel de Barros - Menino do Mato 

Você ainda pode ter muito pedaço bom de alegria...
Cada um tem a sua hora e a sua vez: você há de ter a sua. 
Guimarães Rosa - A hora e vez de Augusto Matraga 
Dentro dos caramujos
há silêncios
remontados. 
Manoel de Barros - Tratado geral das grandezas do ínfimo

Quando a gente dorme, vira de tudo: vira pedras, vira flor. 
Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas 
Pelo corpo
das latas podres
relvam rosas. 
Manoel de Barros - Tratado geral das grandezas do ínfimo 


Esperava o silêncio. Escutava muito ao redor de si. Mas nunca ouvia tudo;
não sabia nem podia. 
Guimarães Rosa - Primeiras Estória

No meu morrer tem uma dor de árvore. 
Manoel de Barros - O livro das Ignorãças






 














Espero que tenham gostado, o objetivo desse post foi traçar algumas semelhanças entre o poeta Manoel de Barros e o escritor Guimarães Rosa e apresentar para os leitores da Revista Biografia.

Clique no link para conhecerem a fanpage ElesporEles


Ivana Schäfer - Pedagoga com Habilitação em Orientação Educacional, Especialização em Psicopedagogia e Cerimonialista. Sou Cuiabana de "tchapa e  cruz", amo minha terra, meu povo e a nossa cultura. Sou do Mato ....de Mato Grosso. Página na internet:
 http://espiacuyaba.blogspot.com.br/

Thursday, 10 October 2013

Manoel de Barros busca o sentido da vida

jornal da poesia
http://www.jornaldepoesia.jor.br/castel09.html


Manoel de Barros busca o sentido da vida



Poeta diz ter solidão, mas acha que é opulência da alma e a traz, em sua obra, como amargor e sol 

 
Manoel de Barros ficou perto de cinco meses com um longo questionário que lhe enviei pouco antes do carnaval deste ano. "Vou responder devagar e do meu jeito", ele me advertiu na época. Aceitei suas condições. Não imaginei, porém, que necessitasse de tanto tempo. Barros seguiu, em parte, as instruções de seus novos editores, da Record, que preferiam ver uma grande entrevista publicada no Estado apenas na época do lançamento do Livro sobre Nada. Mas não foi só essa preferência que o fez deixar o questionário de lado por um período tão longo. O poeta é um homem de hábitos lentos, que gosta de meditar muito antes de agir e não está acostumado a trair seu temperamento interiorano. Finalmente, no dia 12, ele despachou de Campo Grande, pelo correio, suas respostas a algumas perguntas que formulei. Assim começa um breve bilhete anexo: "Aí está o que pude; peço desculpas pela demora." Manoel de Barros respondeu por escrito, em organizadas folhas brancas do tipo ofício, datilografadas com esmero. Corrigiu os erros com a esferográfica, numerou metodicamente as questões e grampeou as páginas.
É um homem, sempre, cheio de cuidados. Antes de aceitar o convite da editora Record para se transferir - "proposta irrecusável por todos os motivos, até mesmo os financeiros", limita-se a dizer -, o poeta consultou José Elias Salomão, o proprietário da Civilização Brasileira. "Falei com ele e tudo bem; ficamos em paz todos", relata. A morte recente do editor Ênio Silveira, por certo, influenciou nessa decisão. Manoel de Barros se sentia tão ligado a Ênio que, enquanto ele estava vivo e mesmo com as condições precárias que a editora Civilização Brasileira atravessou na última década, não ousou mudar de casa. Os laços de amizade e a fidelidade pesaram mais que os interesses pessoais. Cada um de seus últimos livros editados por Ênio Silveira, mal ou bem (e, considerando que são livros de poemas, esses números são ótimos) vendeu, de todo modo, perto de 10 mil exemplares. "Acho que, na Record, esse número deve crescer por causa da estrutura de marketing da editora", diz. Apesar desse otimismo, Manoel de Barros continua a ser um homem basicamente melancólico e pessimista. "Acho que no futuro o homem vai pedir pelo amor de Deus para conhecer uma árvore, um passarinho, um cavalo", diz. "Tenho medo que a ciência acabe com os cavalos, com a luz natural, com as fontes do ser." A seguir, as questões que ele decidiu responder.
 


Estado - Em que medida Mato Grosso do Sul está presente em sua poesia? Qual é sua relação com o regionalismo?
Manoel de Barros - Há sempre um lastro de ancestralidades que nos situa no espaço. Mas não importa muito onde o artista tenha nascido. O que marca um estilo literário é a maneira de mexer com as palavras. Poesia é um fenômeno de linguagem. De minha parte, confesso que fujo do regionalismo que não dê em arte, que só quer fazer registro. Não gosto de descrever lugares, bichos, coisas da natureza. Gosto de inventar. Quem descreve não é dono do assunto; quem inventa é. Não tenho compromisso com as verdades consagradas. O que desejo é me constar por meio de um trabalho estético. Se de tudo resultar um cheiro de coisa do chão, é bom. Pode até ser que seja regionalismo. Porém, há de ser mais transfigurismo pela palavra.

Estado - Você se sente isolado em Campo Grande?
Barros - Isolado não me sinto, juro. Às vezes me isolo, me tranco na minha toca para escrever, para ler, para imaginar. Parece que, no fechado, o imaginário se solta melhor. O que sinto mesmo é incompletude: essa falta de explicação para o sentido da vida. O que tenho é solidão. Mas solidão é opulência da alma. Tudo isso parece que destila amargor e sol na minha poesia.

Estado - As viagens marcaram sua poesia? Penso em um poeta como Vinícius de Moraes que, em cada cidade que viveu, parece ter sido um homem diferente.
Barros - Alguns anos da minha vida ambulei por lugares decadentes. Havia um certo fascínio em mim por cidades mortas, casas abandonadas, vestígios de civilizações. Um fascínio por ruínas habitadas por sapos e borboletas. Eu gostava de ver alguma germinação da inércia sobre ervinhas doentes, paredes leprentas, coisas desprezadas. As fontes de minha poesia, estou certo, vêm de errâncias desurbanas. Agora, o caso do Vinícius é outro. Ele é um poeta inumerável. Ele vem das grandes paixões, das grandes complexidades, das perplexidades humanas. Ele era 300, ele era 350, como diria o nosso Mário de Andrade. Manoel de Barros só é um bugre perturbado.

Estado - Existe essa entidade chamada poesia brasileira ou existem apenas poetas nascidos no Brasil?
Barros - Penso que existe sim uma poesia brasileira. Uma poesia que expressa a nossa alma e o nosso quintal. Porém, a linguagem, o tratamento que o poeta imprima à sua matéria pode fazer dele um poeta universal. Assim, as nossas particularidades podem ser universais por meio das palavras. Temos poetas do mundo nascidos no Brasil.

Estado - Como foi sua relação com o editor Ênio Silveira, recém- falecido?
Barros - Do Ênio fui amigo e companheiro desde o primeiro dia que conversamos. Uma das criaturas mais puras, mais honestas, mais idealistas que conheci. Um ser de escol - como se diz. Trocamos cartas por muitos anos. Trocamos amizades. Mandava a ele os meus originais e ficava quieto, esperando. De repente, me mandava as provas. Fazia questão de escrever as orelhas. Tenho cinco livros lançados por ele.

Estado - Como é hoje sua rotina de poeta?
Barros - Exploro os mistérios irracionais dentro de uma toca que chamo "lugar de ser inútil". Exploro há 60 anos esses mistérios. Descubro memórias fósseis. Osso de urubu, etc. Faço escavações. Entro às 7 horas, saio ao meio-dia. Anoto coisas em pequenos cadernos de rascunho. Arrumo versos, frases, desenho bonecos. Leio a Bíblia, dicionários, às vezes percorro século para descobrir o primeiro esgar de uma palavra. E gosto de ouvir e ler Vozes da Origem. Gosto de coisas que começam assim: "Antigamente, o tatu era gente e namorou a mulher de outro homem." Está no livro Vozes da Origem, da antropóloga Betty Mindlin. Essas leituras me ajudam a explorar os mistérios irracionais. Não uso computador para escrever. Sou metido. Sempre acho que na ponta de meu lápis tem um nascimento.

Estado - Seu último livro publicado se chama O livro das Ignorãças (Civilização Brasileira, 1983). A citação de abertura é eloqüente: "As coisas que não existem são mais bonitas." Qual é o papel da ignorância na atividade poética?
Barros - Gosto de ver o que não aparece. Um que não era o adivinha de Tebas, o Tirésias, um que era apenas o Pote-Cru, andejo de beira de rios, criado em grotas de preá, me disse um dia: "Eu tenho vaticínios de lugares." Pote-Cru, ele tinha percepções sensoriais largas, como os adivinhos, os videntes, os bruxos, os urgos, os demiurgos, os curandeiros, os magos. Essa gente toda usa muito a ignorância para nos conhecer. Como é que eles podem dizer: "Vi a tarde se encolher no olho de um pássaro?" Entretanto, se encolhe! Como é que eles podem dizer: "Os carrapichos não pregam no vento." E, entretanto, não pregam. Essas descobertas vêm da ignorância.

Estado - Você vive em uma região brasileira em que a natureza, mal ou bem, ainda resiste. Há futuro para a natureza?
Barros - No grande futuro, não sei o que seja, acho que o homem vai pedir pelo amor de Deus para conhecer uma árvore, um passarinho, um cavalo. Tenho medo que a ciência acabe com os cavalos, com a luz natural, com as fontes do ser. Aquela liberdade que o homem tem de se sentir livre para o silêncio das árvores não vai ter mais. O idioma não vai servir mais para celebrar. O ser não vai mais comungar com as coisas. A imaginação não vai mais desabrochar, porque os nossos desejos e fantasias serão realizados. O mundo vai ter outro cheiro. Salvo não seja.

(in O Estado de São Paulo, Caderno 2)
 




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Ricardo Noblat, jornalista político do Brasil
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