Monday, 6 January 2014

pelos pelos

pelos pelos
http://pelospelos.com.br/


Minha relação com os pelos tá acontecendo, é um processo.” 
"Teve algumas vezes que eu tava a fim de transar com o cara mas pensei: não acho que ele vai lidar bem com meus pelos."
"Uma vez eu tava no ônibus e não estava com a axila depilada, e as pessoas olharam com horror, tipo ‘se tiver cecê vai ser dela’."
"Aí a gente cai naquele discurso pronto: ‘mulher sofre demais, mulher tem cólica, mulher menstrua, mulher depila…’ Mas peraí! Depila? Como se depilar fosse intrínseco à mulher."
Karina, 23 anos, Belo Horizonte - MG

Eu uso vestidos e saias no dia-a-dia, à noite, e isso causa certo estranhamento nas pessoas. Chegam a comentar: ‘mas tinha que ter feito a barba’.”
"No início, quando eu comecei a me vestir de mulher, foi em um carnaval, há muitos anos, eu depilava as axilas, mas as pernas não, e usava meia calça. Hoje não depilo mais as axilas e nem uso meia calça."
"Na filosofia da kundalini a gente acredita que a barba e o cabelo comprido dão uma força espiritual."
"Trabalhei em uma corretora de imóveis, e tinha que fazer praticamente todo dia a barba, ou deixar bem aparada, e cabelo curto, usava até gel. Minha mãe fala que tem saudade desse tempo, o sonho dela é que eu corte o cabelo e a barba."
"As pessoas falam: você tem o rosto bonito, vai ficar mais gato se fizer a barba. Sou gato de todo jeito (risos)."
"Na época que eu tava de barba feita rolava um assédio dos homens machistas. Com a barba não rola mais esse assédio. Engraçado isso, porque o corpo é o mesmo."
Ed Marte, 45 anos, Belo Horizonte - MG
"Precisa quebrar esse tabu, é importante o pelo, o cheiro, isso que é uma mulher, faz parte da sexualidade."
"Me sinto mais mulher com pelos."
Claudia, 31 anos, Belo Horizonte - MG

Esses dias passou um cara num carro que me xingou por causa do meu cabelo, mas eu ignorei. A maioria é elogio, aí eu fico de boa.”
"Eu tô bem comigo mesma e é isso que importa."
Brenda, 18 anos, Belo Horizonte - MG

Por muitos anos eu tive um companheiro que não gostava de pelos, então eu tirava, mas a gente namorava a distância, e quando a gente não se encontrava eu cultivava os pelos sempre, do corpo inteiro.”
"Eu já achava bonito nas outras pessoas. Com o tempo eu fui aprendendo a achar bonito em mim."
"Gosto muito dos meus pelos pubianos. É o meu desenho, eu tenho que aceitar."
"Na axila há quem diga que é anti-higiênico, sujo e feio. Mas porque não é natural o que é natural de verdade?"
Flora, 28 anos, Belo Horizonte - MG

Sempre achei que os pelos combinavam comigo.”
"Com os meus relacionamentos, ou a pessoa aceita ou não. Não vou aparar os pelos por ninguém. Não tenho problema quanto a isso."
Jeferson, 27 anos, Belo Horizonte - MG
"Sempre tive muita dificuldade com a minha nudez, e a partir do momento que deixei meus pelos crescerem comecei a lidar melhor com meu corpo”.
Aline, 25 anos, Belo Horizonte - MG

"Me relacionei com uma garota e a gente entrou num nível de intimidade em que a gente se sentia tão confortável que nem conversou sobre isso, a gente simplesmente deixava os pelos e achava natural".

Um dia ela começou a tirar fotos minhas e eu não tinha depilado a axila, tava de boa. Postei a foto no facebook e recebi os mais diversos comentários, desde “Giovanna, eu te amo por você não ter problemas com isso”, até “isso é um horror, como você tem coragem de ser assim?”.
Giovanna, 19 anos, Belo Horizonte - MG
"Eu tinha muito pelo no peito, mas passei por um tratamento hormonal e eles sumiram. Achava muito amor".

"Meu chefe perguntou se eu não ia aparar os pelos. Eu disse que ia aparar a língua dele."

"Tenho pavor de tirar foto, não gosto de tirar foto nem pra documento nem pra nada, e tô aqui tirando foto pelada hoje. Isso me ajudou bastante a desconstruir o meu conceito de nudez".

"Minha companheira tem bastante pelo e eu acho sexy nela".
Andressa, 19 anos, Belo Horizonte - MG
"A história da juba foi porque eu cansei de ser aquela mesma coisa, porque é negra e tem que ter aquele cabelo escovadinho no ombro, quebradinho porque não cresce. Aí ficava naquela escravidão de três em três meses ter que fazer relaxamento no cabelo… Ah porque vai dançar um pouquinho vai suar, aí vai aparecer, vai dar diferença. Ih, choveu, cabelo encolheu, e esses negócios. Eu sou zuada na rua ainda, mas eu não tô nem aí, porque esse é o meu cabelo.”
- Você gosta mais dele agora?
"Claro! Agora é tudo meu, sou mais Helen… é isso.”
- Como foi ser fotografada?
"Foi de boa demais, eu achei que ia ficar com uma vergonha danada,
mas foi tranquilo. Nunca mais vou ter vergonha do meu corpo.”
Helen, 21 anos, Belo Horizonte - MG, 2013.
"Passei um tempo numa comunidade auto-sustentável e isso mudou muito minha percepção de como a vida é e como ela pode ser. Por que é que a gente vive em padrões que não nos fazem felizes, se submete a isso e abre mão da nossa liberdade só pra se encaixar no que os outros esperam?"
"Existe um jeito de viver em que você pode ser quem você é, e você não precisa se encaixar em nada e pode simplesmente ser livre. As pessoas muitas vezes acham que isso não é possível, que é algo muito além, que é um sacrifício muito grande, mas é muito mais simples do que a gente acha. São pequenas atitudes que podem fazer muita diferença na sua vida. Pode ter um cuidado com seu corpo, uma relação de amor mesmo e não de padronização."
Júlia, 24 anos, Belo Horizonte - MG, 2013.
"O feminismo me interessa pelo lado de libertação humana. Esse movimento feminino é um movimento de libertação da humanidade, ele está dentro dessa coisa do humano se humanizar, deixar de ser partes e ter essa relação de dominação sempre presente. A gente tem muita dificuldade em imaginar o mundo sem a relação de dominação. A gente está sempre inserido achando que tudo é necessariamente dentro de uma relação de dominação, quando na verdade o humano não né nada disso não.”
"Na realidade, esse meu envelhecimento está mais ligado à aparência porque eu sou muito criança, de verdade. E evidentemente tem um preconceito, as pessoas me evitam, eu não sou mais uma pessoa gostável. As meninas bonitas não querem mais transar comigo, porque eu sou um velho.”
Lourenço, 57 anos, Belo Horizonte - MG, 2013.
"Essa minha aparência estranha, cabeluda, barbuda, ela é uma contra-aparência. Então eu não gosto de me preocupar com ela. Ela está aí esquisita exatamente para mostrar aos outros - que preocupação com a aparência?! - então seria um contra-senso se eu ficasse me preocupando, por isso é uma coisa que eu nem ligo. Eu me acho muito mais bonito, não por causa da minha aparência, mas porque eu vou aprendendo coisas… tem muito mais tempo que eu estou aprendendo coisas do que vocês."
"As pessoas não acham normal, natural, não. Onde eu trabalho sempre tem alguém falando - Ow, vamos cortar o cabelo! Ow, vamos cortar a barba! A maioria das pessoas pergunta: Por que que você deixa a barba? Eu sempre brinco: Eu não deixo, ela nasce, quer eu deixe ou não. Por que você deixa o cabelo crescer? Eu não deixo, ele cresce, quer eu queira ou não. Eu já falei com eles pra não crescerem, mas eles continuam crescendo (risos)."
- E essa questão da higiene. Você acha que um corpo sem pelos é mais limpo?
"Acho que é uma ideia de saneamento do mundo né. A pessoa não pode estar no mundo, não pode estar viva, aí vem essa ideia de "ficar limpo". É uma justificativa pras pessoas não agirem, não serem.
Lourenço, 57 anos, Belo Horizonte - MG, 2013.
"Todo mundo sempre falou que é feio, que é nojento, então você vai fazendo."
"Eu nunca deixava crescer, sempre depilava, aí ano passado por causa de uma peça a diretora propôs que eu tentasse ficar bastante tempo sem me depilar. Eu Topei."
- Quais eram as situações que te incomodavam mais?
'Principalmente no metrô né, pra  levantar, quando eu tava de regata e tá aqui (apontando pra axila), as pessoas olham bastante… inclusive já teve uma vez que uma menina teve uma crise de riso na minha cara e eu fiquei meio sem reação, ela nem disfarçou, começou a rir e a apontar pra minha cara.”
"E agora eu não faço mais, primeiro porque é incômodo, porque dói, e porque eu não acho que é tão necessário, não acho que é horrível, eu gosto deles aí."
Ana Cláudia, 20 anos, São Paulo - SP, 2013

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