Tuesday, 12 June 2012

Mapeando os mitos indígenas de Mato Grosso

CEFEDES
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Mapeando os mitos indígenas de Mato Grosso
23/05/2012
Dezenas de povos indígenas estarão reunidos nesta semana para iniciar um debate sobre como a espiritualidade deve ser incorporada como componente de políticas públicas, sobretudo na política de gestão territorial em terras indígenas, a ser implementada pelo governo federal. Devido à importância dessa discussão, o Projeto Berço das Águas vai realizar nos dias 23, 24 e 25 de maio de 2012 o seminário “Mapeamento das Mitologias Indígenas de Mato Grosso”, em Poconé, no sul do estado.
A relevância desse tema tem a ver com o respeito aos valores tradicionais do estado que detém, hoje, o segundo maior número de povos indígenas do país. Em Mato Grosso, eles compõem um mosaico de 47 etnias e 78 terras indígenas, em diferentes fases de regularização. Tamanha diversidade cultural estará representada no evento por integrantes das etnias Kaiabi, Xavante, Bororo, Kaiapó, Chiquitano, Bakairi, Rikbaktsa, Nambiquara, Manoki, Paresi, Karajá, Umutina, Arara, Ikpeng, Kuikuro, Tapirapé, Cinta Larga, Terena e Apiaká.
No contexto indígena, os territórios são considerados refúgios da biodiversidade e os diferentes povos que habitam essas áreas protegidas são guardiões das cosmologias e dos sistemas indígenas de manejos e convívios com a natureza. Uma das metodologias de trabalho para condução deste seminário será baseada na identificação de locais sagrados no mapa de Mato Grosso.
O imaginário, as mitologias, os locais sagrados e as crenças são aspectos fundamentais para se pensar a sustentabilidade dos territórios indígenas. Os mitos desses povos retratam a origem dos mundos, das pessoas, dos animais, das roças, de seres espirituais e indicam locais sagrados. As relações com o espiritual e a natureza explicam e ensinam sobre as regras sociais e os diversos tabus. Essas orientações místicas são também evidenciadas nos rituais, festas e oferecimentos contribuindo para integridade dos sistemas ambientais, sociais e culturais.
Após a realização dos 3 dias de debate, com cerca de 80 participantes, serão elaboradas publicações que vão ampliar os debates na busca do reconhecimento de saberes tão vastos e importantes, valorizando as culturas indígenas para a melhoria de suas condições de vida. Acreditando nessa estratégia, a Petrobras através do Programa Petrobras Ambiental patrocina a iniciativa, executada pela Operação Amazônia Nativa (OPAN), em parceria com a Rede Mato-grossense de Educação Ambiental (Remtea), Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA) e Instituto Caracol. O evento conta também com o apoio da FUNAI, do CIMI, do FORMAD, da SEPLAN, da SEDUC, do Instituto Maiwu e da Takiná.
Confira a programação do seminário “Mapeamento da Mitologia Indígena de Mato Grosso” 

1º dia – 23 de maio
Manhã
Tarde
8h Organização do local
Equipe de organização OPAN, GPEA, REMTEA e iCaracol

10h Chegada dos participantes e translado para a Estância 3J

12h30 Almoço

14h Teatro de abertura: apresentação com bricolagem - Ivan Belém (GPEA)
15h30 Apresentação da proposta do seminário  - Artema Lima (OPAN) e Adriana Werncek (GPEA)
16h30 Lanche
16h45 Mitologia grega e africana - Ivan Belén e Michèle Sato (GPEA)
19h Jantar
2º Dia – 24 de maio
Manhã
Tarde
8h Mitologia dos Nambiquara
Anna Maria Ribeiro (Pesquisadora da FUNAI/Cuiabá)

9h Grupo de Trabalho
Mito de origem e demais narrativas (arte e narrativas)

12h Almoço
14h Mitologia dos Panará – Panará e Adriana Werneck (GPEA)
14h30 Grupo de Trabalho
Os mitos e as interpretações dos fenômenos sociais e naturais (arte e narrativas)
16h45 Lanche
17h Grupo de Trabalho
Os mitos e as interpretações dos fenômenos sociais e naturais (arte e narrativas)
19h Jantar
19h45 Fogueira e a roda de “contação de causos”
3º Dia – 25 de maio
Manhã
Tarde
8h Fórum geral – Apresentação de cada grupo pelos relatores indígenas, debates e sistematização
10h Lanche
12h Almoço

14h Oficina de avaliação: críticas, sugestões, propostas e encaminhamentos gerais
16h Encerramento, lanche e retorno para Cuiabá


Projeto Berço das Águas
O quê: Projeto para elaborar planos de gestão territorial em terras indígenas do Noroeste de MT e fomentar cadeias produtivas de frutos nativos do Cerrado e da Amazônia para fins de geração de renda e sustentabilidade ambiental dos territórios.
Para quê: Apoiar a gestão territorial e a melhoria das condições de vida dos povos Manoki, Myky, Nambiquara/Sabanê.
Quando: 2011-2012
Quem: Operação Amazônia Nativa (OPAN), com patrocínio da Petrobras através do Programa Petrobras Ambiental
Onde: Terras Indígenas Myky e Manoki, no município de Brasnorte, Tirecatinga, no município de Sapezal e Pirineus de Souza, no município de Comodoro (MT).
OPAN
A OPAN foi a primeira organização indigenista fundada no Brasil, em 1969. Atualmente suas equipes trabalham em parceria com povos indígenas do Amazonas e do Mato Grosso, desenvolvendo ações voltadas à garantia dos direitos dos povos, gestão territorial e busca de alternativas de geração de renda baseadas na conservação ambiental e no fortalecimento das culturas indígenas.
 

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