Thursday, 29 December 2011

René Magritte, biografia resumida

http://magritterene.blogspot.com/


René Magritte, biografia resumida

René François Ghislain Magritte nascido em 21 de novembro de 1898 na cidade de Lessines, no Hainaut belga. Filho de Léopold Magritte e Adeline, teve sua infância marcada por muitas mudanças de cidade. Moraram em Lessines, Gilly, Châtelet e Charleroi.

Seu pai Léopold e sua mãe Adeline, não tiveram problemas em proporcionar uma boa educação a René, Paul e Raymond, já que eles não tinham muitas preocupações financeiras, pois ele trabalhava como alfaiate e ela como modista de chapéu. Está situação continuou a mesma mesmo após a morte de Adeline, onde René e seus irmãos foram criados por governantas e empregados. Assis como René, Paul era interessado pela arte. Compôs músicas e arranjos para obras alheias. Ambos partilhavam uma grande paixão pelo cinema, principalmente pela série Fantômas, que influenciou as idéias de Magritte. Por outro lado, seu irmão Raymond, contrariando o gosto pela arte se seus dois irmãos era um homem de negócios. E mesmo apesar de nunca ter se dado bem com Magritte, René administrou seus bens durante a vida.

O suicídio de sua mãe aos 41 anos em 1912, afogada no rio Sambra é um grande mistério, por não se saber os motivos de seu suicídio. Magritte, no entanto teve uma reação um tanto estranha ao acontecido, se sentindo orgulhoso por ser filho de uma suicida e ter angariado a simpatia de seus vizinhos e colegas de escola. Inúmeras histórias dizem que Magritte viu o corpo de sua mãe com o rosto coberto com sua camisola, porém nenhuma delas se mostrou verdadeira. Foi criado então por um pai solitário, criadas e governantas.

Este acontecimento pode ter influenciado muito a vida artística de Magritte. Não se sabe que tipo de impacto essas emoções demonstradas por ele podem ter acarretado. Em uma carta datada de 1956 Magritte dizia: “Tenho inúmeras recordações atrozes, mas não compreenderei nunca o arrependimento, só sinto remorsos.” (carta a Maurice Rapin datada de 8/11/1956, publicada em A Arte Pura)...


Breve Introdução

O projeto interdisciplinar tem como base de estudo o discurso entre design e arte e suas ligações. A pesquisa analisa os movimentos artísticos, no caso, o surrealismo que influenciou vários artistas no final do século XIX, com o começo da Revolução Industrial. Dentre os artistas desse movimento, a escolha foi estudar as obras de René Magritte que é um dos grandes surrealistas da época. Em muito de seus quadros, os objetos obtém um grande destaque, sendo retratados de uma forma reflexiva e intencional, dando um novo olhar ao seu significado. Com isso, a análise mostra essa relação entre a idéia do artista, e o objeto do cotidiano relatado em suas obras, finalizando assim a transformação do objeto funcional com significados próprios de René Magritte.

Surrealismo no cinema brasileiro

fonte -
http://horrorbrasileiro.blogspot.com/2010/04/surrealismo-no-cinema-brasileiro.html

Surrealismo no cinema brasileiro


Indico aqui o link para a revista Taturana. Além da dica da revista, que vale por si, divulgo a entrevista feita comigo pelo jornalista Marcelo Miranda, na terceira edição. Foi uma conversa bem legal que tivemos sobre o surrealismo no cinema brasileiro.

http://issuu.com/revistataturana/docs/taturana_3_corterx

Trechos da entrevista:

MM - A expressão "surrealismo no cinema brasileiro" te remete a alguma coisa?
A expressão "surrealismono cinema brasileiro" me remete a muitas coisas, mas, em primeiro lugar, a algumas ressalvas. Quando falamos em cinema brasileiro, o que nos vem à mente é o longa-metragem de ficção, mas creio que o surrealismo possa ser encontrado de maneira muito mais disseminada nos curtas de ficção e experimentais, que têm menos compromisso com exibição comercial e, por isso, podem se arriscar mais em conceitos transgressores como muitos dos que definem o surrealismo. Outra ressalva a ser feita diz respeito ao que se entende por surrealismo no cinema. Se estivermos falando simplesmente na presença de elementos oníricos, a lista de filmes brasileiros de ficção será enorme, mesmo nos longas-metragens. Porém, se levarmos em conta os aspectos transgressores preconizados pelo movimento surrealista, além das idéias de associação livre e a influência do pensamento de Freud, aí o escopo diminui bastante. Ainda mais uma ressalva é necessária. O surrealismo é um movimento estético europeu que tem um "primo" na narrativa realista-maravilhosa latino-americana do século XX, que me parece muito mais presente no cinema brasileiro do que o surrealismo. A diferença entre as duas é que, enquanto o surrealismo traz o elemento estranho pela via do onírico, o realismo-maravilhoso aceita o elemento estranho como fazendo parte da "paisagem natural" (como em "Saramandaia", do Dias Gomes). Isso pode ser justificado à própria culura latino-americana, muito mais aberta ao sobrenatural do que a européia.

MM - Se fosse pra falar em um cineasta surrealista no país, em qualquer época, existiria algum?
No sentido de um cineasta comprometido com o surrealismo, que eu saiba, não.

MM - Nem mesmo nos curtas, tipo um Dennison Ramalho ou um Fernando Severo?
O Dennison faz filmes de horror, e diz isso para quem quiser ouvir! Não vejo porque dar outro nome ao que ele faz. Além disso, sua obra, ainda está no começo, então seria absurdo rotulá-lo de qualquer coisa. Já o Severo tem uma obra um pouco mais extensa e bem mais variada, com filmes de fantasia, experimentais e até documentais, então talvez seja possível apontar momentos surrealistas, mas não rotular o conjunto.

MM - Será que o Brasil absorveu alguma lição de gente como Luis Buñuel, David Lynch ou mesmo Tim Burton?
Certamente que sim, mas talvez não da forma que a crítica espere. Um cineasta que chegou a ser comparado com o Buñuel foi o Mojica, mas num registro mais popular e explícito, totalmente ligado aos elementos do gênero horror (que nunca fizeram parte do projeto do Buñuel ou de outros surrealistas). Os cineastas chamados de marginais também trazem essa influência. Nesse sentido, acho bacana lembrar de filmes como PRATA PALOMARES, do André Faria Jr. e OS MONSTROS DO BABALOO, do Elizeu Visconti. O David Lynch, segundo me parece, é muito influente entre cineastas mais jovens, em particular os curta-metragistas. Mas longas como O CORPO, do Rubens Rewald, também podem ser mencionados. Já o caso do Tim Burton é bem mais complicado, pois, além de ele não ser propriamente um surrealista, o tipo de cinema que ele faz exige orçamentos que não estão ao alcance do cinema brasileiro. No máximo, encontra-se algo no cinema infantil, mas com roteiros bem mais "comportadinhos". Exemplo disso poderia ser O CASTELO RÁ-TIM-BUM.

MM - Surreal é a gente falar de um filme infantil num papo sobre surrealismo!
Todas as vanguardas do começo do século XX tinham um enorme interesse pelo trabalhos artísticos de crianças, que lhes pareciam expressões totalmente livres do imaginário. É só lembrar de um artista como o Miró (que chegou a passear pelo surrealismo) para perceber que o universo infantil interessa muito à toda a arte moderna.

MM - O surrealismo e o terror podem caminhar juntos? Em que sentido e sob quais aspectos?
Podem, principalmente pela presença da agressividade, do grotesco e dos elementos que não se adaptam à visão que temos do "mundo natural" (como a presença do sobrenatural). Mas, em geral, o horror pressupõe que os personagens da história reajam a esses elementos com estranhamento, enquanto, no surrealismo, o elemento estranho é contextualizado pela atmosfera onírica. Não são tantos os cineastas que conseguem misturar bem o surrealismo com horror. Entre eles, podemos citar o chileno Alejandro Jodorovski, o italiano Dario Argento, o estadunidense David Lynch e o brasileiro José Mojica Marins.

MM - Mojica ou Ivan Cardoso fizeram alguma obra que você considere surrealista?
Do Mojica, sem dúvida "O Despertar da Besta" é um filme comprometido com o surrealismo, embora o cineasta talvez não tivesse total consciência disso. O próprio fato de descrever devaneios dos personagens sob supostos efeitos de drogas parte de um princípio surrealista, que é o da expressão livre dos processos inconscientes. Outro filme dele que se relaciona mais diretamente com o surrealismo é A PRAGA. Já quanto aos outro filmes, prefiro chamá-los de filmes de horror, mesmo, que é o que eles são. No caso do Ivan Cardoso, vejo muito mais influência das chanchadas e do besteirol do que do cinema surrealista. Mas UM LOBISOMEM NA AMAZÔNIA, ao trazer a viagem de Daime dos personagens, talvez possa ser considerado um "parente distante". De qualquer maneira, eu consideraria um exagero afirmar isso.

MM - O cinema brasileiro pós-retomada, com um certo tom anódino que o caracteriza, pode ser chamado de surrealista - no sentido de ser tão distinto do que o país já foi capaz de fazer?
Não sei se o cinema da pós-retomada é tão distinto do que já fomos capazes de fazer, mas certamente não é surrealista. O que se percebe, no máximo, é um gosto pelo fantástico e pelo onírico, mas num registro muito pouco transgressor. Exemplos disso existem aos montes nas produções da Globo Filmes como O CORONEL E O LOBISOMEM, A MULHER INVISÍVEL, SE EU FOSSE VOCÊ, O HOMEM QUE DESAFIOU O DIABO, FICA COMIGO ESTA NOITE etc.

MM - Pois é, o uso que fiz da palavra "distinto" é porque, surreal ou não, o uso dos tais "elementos estranhos" no passado do cinema brasileiro era bem mais arriscado do que hoje. Esses filmes todos que você citou são quase infantis, no mau sentido do termo, e parecem ter medo de levar pra longe as noções das quais eles partem. Você acha que nem o Mojica, com o "Encarnação do Demônio" (que eu sei que você não gosta), tirou um pouco o marasmo, nesse sentido? E "O Fim da Picada", do Cristian Sagard, onde entra na equação toda?
Não sou saudosista com o cinema do passado, pois noto que muitos filmes dos quais hoje "sentimos saudades" foram ignorados ou francamente atacados pela crítica e pela academia na época em que foram feitos. No caso do filme do Mojica, não é que eu não goste, mas acho que os realizadores não conseguiram nem recuperar o Zé do Caixão original e nem aproveitar a figura divertida que ele se tornou. Quanto ao surrealismo nesse filme, a gente pode encontrar alguns momentos (como no encontro dele com o Zé Celso no purgatório), mas é filme de horror típico, inclusive assumindo essa linha bem contemporânea do "torture porn" (da qual, aliás, o Mojica foi um dos precursores!). Por fim, o filme do Christian, se eu tivesse que classificar (o que é complicadíssimo e polêmico!) eu o colocaria na linha do realismo-maravilhoso, pela presença de figuras do folclore nacional misturadas à paisagem urbana.


Exemplo de curta surrealista brasileiro

A origem do Modernismo brasileiro

fonte - sala de artes
http://salaseteartes.wordpress.com/pintura-2/surrealismo-no-brasil/



A origem do Modernismo brasileiro

 

"Abaporu": obra deu origem ao Movimento Antropofágico

Por Chandra Santos

 


As ideias surrealistas vieram para o Brasil na década de 1930 e foram absorvidas pelo movimento Modernista. A pintora Tarsila do Amaral e o escritor Ismael Nery foram os mais influenciados. Além deles, a escultora Maria Martins, o pintor pernambucano Cícero Dias, o poeta Murilo Mendes e os escritores Aníbal Machado e Mário Pedrosa também acrescentaram elementos surreais em suas obras.
 A Semana de 22 foi o ápice do movimento Modernista no Brasil. Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Víctor Brecheret, Plínio Salgado, Anita Malfatti, Menotti Del Pichia, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet, Heitor Villa-Lobos e Tarsila do Amaral são algumas das personalidades que estiveram presentes no evento ocorrido nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro no Teatro Municipal de São Paulo. Considerada um marco na arte brasileira, por propor a ruptura com o passado, a Semana de 22 revolucionou a Literatura, a música, a pintura, a poesia e a escultura. O poema “Os Sapos” rendeu a Manuel Bandeira muitas vaias durante a apresentação. Os concertos musicais de Villa-Lobos foram outra novidade. As maquetes de arquitetura e as telas das artes plásticas também. No momento em que ocorria, a Semana sofreu numerosas críticas. Mas, passados os anos, seus participantes impregnados do ideário modernista fundaram estilos diferentes que culminaram na cultura brasileira contemporânea.
 Tarsila do Amaral pintou, em 1928, uma das obras mais importantes do Modernismo: o “Abaporu” (do Tupi- Guarani: o homem que come).  A tela foi um presente ao então marido Oswald de Andrade. Observando a tela ele criou o Movimento Antropofágico cuja ideia principal era “deglutir” a cultura européia incorporando-a a elementos da nossa cultura. Nesse período, Tarsila também pintou “O Lago” (1928); “O Ovo” ou “Urutu” (1928); “A Lua” (1928); “Cartão Postal” (1929) e “Antropofagia” (1929).  


"O Lago": obra possui o colorido típico da autora
"O Ovo": tela contém símbolos da Antropofagia. A cobra tem o poder de "deglutir" enquanto o ovo representa o nascimento do novo
"A Lua": quadro preferido de Oswald de Andrade. Mesmo depois de se separar de Tarsila, o artista conservou o quadro
"Cartão-Postal": a cidade do Rio de Janeiro é retratada na tela
"Antropofagia": união dos quadros "Abaporu" e "A Negra"
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 Pingue – Pongue: Tuneu

  

O artista Tuneu na exposição "Puro Espaço"
O artista Antonio Carlos Rodrigues, ou simplesmente Tuneu, teve o privilégio de ser aluno de Tarsila do Amaral entre 1960 e 1966. Confira abaixo a entrevista com o artista feita em maio de 2010 por e-mail.
 1- Qual a importância da arte na vida do povo brasileiro? 
“A importância da arte poderia ser maior se o país acreditasse na qualidade de seus artistas e  fizesse parte da vida das pessoas pela divulgação ou um ensino melhor da história da arte.”
  2- Como foi ser aluno da Tarsila do Amaral?
“Ser aluno de Tarsila é claro que foi um previlégio. Mas o mais importante é o estimulo para você se apaixonar pela arte que um mestre é capaz.”
 3- Qual conselho daria aos jovens que pretendem seguir a carreira artística (como pintores, escultores…)?
  ”Trabalhar muito, desenhar muito, muita disciplina e paixão.” 

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O SURREALISMO CEREBRAL DE MAGRITTE

fonte -  obvious
http://obviousmag.org/archives/2011/01/rene_magritte.html

O SURREALISMO CEREBRAL DE MAGRITTE

Chamaram-lhe pintor cerebral e apelidaram o seu estilo de "visual thinking". A pintura surrealista de René Magritte tornou-se um marco do século XX, mas foi quase no final da sua vida que começou a ser apreciada pelo grande público. Hoje, pinturas como "Golconde", "A traição das imagens" ou "Filho do Homem" fazem parte da cultura popular e ajudaram a mudar a percepção da arte surrealista.




pintura surrealismo rene magritte
Les Amants

René Magritte (1898-1967) tinha apenas 13 anos quando a sua mãe cometeu um acto terrível. Depois de várias tentativas de suicídio, ela atirou-se de uma ponte, afogando-se no Rio Sambre. Diz-se que este acontecimento viria a marcar para o resto da vida o pintor belga, levando-o a pintar quadros como Les Amants (1928), em que dois namorados se beijam encapuçados - da mesma forma que a sua mãe tinha sido encontrada, com o vestido cobrindo-lhe a cabeça. Apesar da tragédia, a verdade é que Magritte se tornou um dos pintores mais famosos do século XX e um marco incontornável da arte surrealista.

Os primeiros quadros de Magritte datam de 1915 e eram impressionistas. No entanto, de 1916 a 1918 o belga decidiu frequentar a Academia Real de Artes em Bruxelas de forma a aperfeiçoar a sua técnica, acabando por se aborrecer com o conservadorismo da escola e por abandoná-la. Tornou-se então um desenhador de papel de parede e artista comercial em Bruxelas, cidade onde passou a viver e se casou com Georgette Berger.

Os seus primeiros trabalhos, depois de sair da Academia, foram influenciados pelo Cubismo e Futurismo. Foi, contudo, quando se aproximou de Giorgio de Chirico e da sua pintura metafísica que Magritte mergulhou no surrealismo que viria a marcar toda a sua obra. Em 1926, deixou o emprego para se dedicar inteiramente à arte, sob o mecenato da Galerie le Centaure, que lhe permitiu pintar a tempo inteiro. Le Jockey Perdu, tela terminada no mesmo ano, foi a sua primeira obra surrealista. No entanto, a má recepção da crítica fez com que Magritte se refugiasse em Paris e aí vivesse durante três anos, estabelecendo contactos com Max Ernst, Dali, André Breton e Paul Éluard.



Le Jockey Perdu

Voltando para Bruxelas, viu-se obrigado a criar uma agência de publicidade com o irmão, de forma a ganhar dinheiro para sustentar o seu estilo de vida. Viria mais tarde a confessar o desprezo que tinha por este tipo de trabalho: "Detesto o meu passado e o de todos. Detesto a resignação, a paciência, o heroismo profissional e os sentimentos bonitos obrigatórios. Também detesto as artes decorativas, o folclore, a publicidade, as vozes dos anúncios, o aerodinamismo, os escuteiros, o cheiros das bolas de naftalina, acontecimentos do momento e pessoas embriagadas".

Durante os anos 30 aprofundou a sua técnica, pintando imagens perturbantes e desconstruídas que logram desafiar as percepções do público. Em 1928, Magritte já nos tinha deixado uma pista para a leitura da sua obra com "A traição das imagens", pintado em Cadaqués (Catalunha) na companhia de Dali. Por baixo do cachimbo, podemos ler as palavras "Ceci n'est pas une pipe", uma aparente contradição. Contudo, se reflectirmos acerca do assunto, trata-se da imagem de um cachimbo que não satisfaz a necessidade do objecto real. O mote estava lançado: não importa o quão fiel possamos representar uma imagem, é sempre impossível capturar a sua essência.



La Trahison des Images

A pintura de Magritte dá novos significados aos objectos comuns, mas de uma forma diferente. Ao contrário do automatismo surreal até então praticado, o seu trabalho surge da justaposição pensada, criando uma imagética poética e exortando à hipersensibilidade do público. O resultado são objectos híbridos, como em O Retrato (1935) ou La Durée poignardée (1938). Os motivos eram muitas vezes quotidianos: árvores, janelas, portas, cadeiras, pessoas, paisagens. Magritte não procurava o obscuro e recusava o significado dos sonhos e da psicanálise. Pelo contrário, ele procurava, através da terapia de choque e da surpresa, libertar da sua obscuridade as visões convencionais da realidade.

A simplicidade enganadora das suas telas tem um conteúdo filosófico e poético, satirizando o mundo instável e perturbado do século XX. Um mundo feroz (e veloz) no qual a razão se torna indispensável para dar sentido à vida. Mas Magritte expurga essa razão através de técnicas surrealistas, jogando com a lógica do espectador: há nos seus quadros uma necessidade de reagir ao fenómeno da vida quotidiana, criando algo inesperado. Um quadro de Magritte não é para ser admirado. É para ser objecto de reflexão e ponderado - o sentido está muitas vezes escondido e é alvo de segundas, terceiras e quartas interpretações. E as questões acerca das suas criações ainda pairam no ar, já que Magritte nunca deu respostas claras acerca do seu significado. La reproduction interdite ou Golconde são alguns dos exemplos desta aura de mistério.



Time Transfixed



Not to be Reproduced

Sendo versátil, Magritte foi ainda responsável por reproduzir sátiras de quadros famosos, que inspiraram o sentido de humor non-sense moderno. Apaixonado pela filosofia e literatura, muitos dos seus quadros reflectem também a sua aproximação a certos autores, como Baudelaire (em La Géante), Edgar Allan Poe (Le Domainde d'Arnheim) ou Hegel (Les Vacances de Hegel).

Durante os tempestivos anos 40, o pintor belga passou ainda por dois períodos - os únicos da sua vida - em que se afastou do surrealismo. Em 1943-44, influenciado por Renoir, adoptou um estilo colorido que deixou pouco depois, dado o desinteresse da crítica. Em 1947-48, na época "vache", foi influenciado pelos fauvistas, pintando imagens provocatórias e rudes. Desencorajado mais uma vez pelas críticas ao seu trabalho, acabou também por voltar ao seu "visual thinking" ou "pintura cerebral", termos rotulados pela crítica.

Apesar dos cerca de mil trabalhos que criou até à sua morte em Agosto de 1967, René Magritte começou apenas a ser verdadeiramente apreciado nos anos 60. O interesse generalizado fez com que muitas das suas telas se tornassem parte da cultura popular durante as décadas seguintes. Ainda hoje o seu trabalho é re-interpretado por artistas modernos. O músico Rufus Wainwright é um deles e no seu vídeo Across The Universe (2002) mostra Dakota Fanning rodeada de homens de chapéu de coco e gabardine estáticos no ar, numa semelhança inegável com "Golconde".


"A arte evoca o mistério sem o qual o mundo não existiria", René Magritte.


Veja também na Obvious algumas das interpretações dos quadros de René Magritte.


Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2011/01/rene_magritte.html#ixzz1hyKksJXF



ceci n'est pas mimi


esta não é a mimi

*

mimi:2012

porque a causa não é só minha
é de todos.
antes, o cotidiano era
desenvolver com pressa
buscando se afastar
da natureza.
cego na existência humana
poder e destruição.
ordem e progresso
ainda flamulam
no verde e amarelo.
hoje sofrendo
o planeta dá sinais
que o corpo danificado
requer mudanças
e novas andanças.
com coragem de florir
até penhascos
para além de jardins.
um planeta de todos
mulheres, homens e crianças.
extasiada no caos
suspiro o desejo
denunciar os conflitos
anunciando as esperanças.

~ mimi
(2012)
*


Friday, 23 December 2011

SURREALISM eye.com

eye.com.art
http://robinurton.com/history/surrealism.htm


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Surrealism

Max Ernst

Rene Magritte


Salvador Dali
The artistic style of surrealism began as an official movement shortly after the end of the first world war. In its infancy, it was a literary movement, but soon found its greatest expression in the visual arts. In general, the style focuses on psychological states which resemble dreams and fantasy. The artists were influenced by psychological research of Sigmund Freud and Carl Jung, who sought to explain the workings of the mind through analysis of the symbols of dreams. Instead of using psychoanalysis to cure themselves of any disturbances, the surrealists saw the unconscious as a wellspring of untapped creative ideas. "A dream that is not interpreted is like a letter that is not opened" is a famous quote from Freud. The surrealists were less interested in interpretation of their dream symbols than they were in the expressive capacity of such states.
The surrealists admired the artwork of the insane for its freedom of expression, as well as artworks created by children. They admired previous artists such as Henri Rousseau, whose naive and self-taught works always contained an element of surreal fantasy. In addition, they looked for inspiration from masters of the Renaissance such as Hieronymous Bosch and Pieter Brueghel, whose fantastic elements can easily be described as surreal. The word "surreal", in fact, means "above reality". In other words, the artists believed that there was an element of truth which is revealed by our subconscious minds which supercedes the reality of our everyday consciousness.
There are actually two branches of surrealism. One group focused on creating realistic representations of dream-like states; the other preferred an abstract style. For now, I will focus on three masters of representaional surrealism.

Salvador Dali
(Spanish, 1904-1989)

The Persistence of Memory 1931

Sleep 1937

Salvador Dali is, without doubt, the most famous member of the surrealist group. His painting, The Persistence of Memory almost stands alone as a symbol of the movement. The melted clocks represent the strange warping of time which occurs when we enter the dream state. The stretched image of a man's face which is at the center of the painting is believed to be that of Dali himself, and the landscape which stretches out behind the scene may perhaps represent his birthplace, Catalonia. Dali's painting of Sleep is also successful in its suggestion of the precarious balance of sleep. We realize that if a single crutch were to fall, the dreamer will awake.



Temptation of St. Anthony

Metamorphis of Narcissus 1937

Dali frequently made reference to themes which have been repeated throughout the history of art. The Temptation of St. Anthony was a theme frequently taken up by some of the more fantasy-oriented Renaissance artists (Matthais Grunewald, for example). In Dali's version, the saint has been walking through a desert when he is confronted with a monstous horse and a team of elephants on stilt-like legs. There are also images of sexuality which the saint must oppose, using his cross to ward off the vision. The Metamorphosis of Narcissus plays on the classical theme about a beautiful young man who admires his own reflection in a pool of water. Transfixed by his own beauty, he turns to stone. Always the master of illusion, Dali creates a double-image, where the boy's form is repeated as an enlarged hand holding an egg which bursts forth with a narcissus flower. 




Crucifixion 1954

The Hallucinogenic Torreador is perhaps Dali's most successful painting involving multiple hidden images. A complete analysis of the painting would be a complex undertaking. It primarily focuses on the torreador (bull-fighter), whose face is hidden within the repeated representation of the Venus de Milo. The upper portion of the painting contains the bull-fighter's arena, again surrounded by multiple images of the goddess. There is also a hidden image of the bull in the lower left quadrant of the painting (drinking water from a pool), and an image of a boy (possibly a self-portrait as a child, as his clothing represents the approximate time period of his boyhood). The Crucifixion is another powerful painting. The innovation of a floating cross which intersects Christ's body gives an illusion of another dimension. A shocking aspect of this painting is that the representation is believed to be a self-portrait. The single figure who stands in adoration is believed to be that of his wife, Gala (who often appeared in his paintings).
Dali was very prolific throughout his life, creating hundreds of paintings, prints, and even sculptrues. He also produced surrealist films, illustrated books, handcrafted jewelry, and created theatrical sets and costumes. His frequently odd and shocking behaviors also contributed to his fame. One only needs to look at his photo (with his long waxed mustache and crazed look) to know that he was a bit beyond eccentric. He was actually denounced and "excommunicated" by the leader of the movement (Andre Breton, a French poet), who felt that he had become too commercial and that his staged events were merely put on to bring attention to himself. There is no doubt that he thought much of himself, as he titled his autobiography "Diary of a Genius". Despite his shameless self-promotion, the meticulous draftsmanship and realistic detail of his paintings ranks him as a master, whose subject matter makes him a great modern painter.
Rene Magritte
(Belgian, 1898-1967)


The Lovers 1928

Collective Invention 1934
Another member of the surrealist group whose works have become synonymous with the movement was Rene Magritte. This Belgian artist's temperment was opposite to that of the flaming eccentricity of Dali. He lived a quiet and "normal" life, married only one woman, and was very much a middle-class working man. Though connected to the movement, he separated himself from any the less provincial activities - preferring to work at home (in his dining-room, in fact!). Despite his seeming bougouise lifestyle, his works are extraordinary in their sense of fantasy and surreal reality. The Lovers may be a visual depiction of the idea "love is blind". I personally interpret it as the mystery that veils our understanding of a lover, who is never completely known to us. Collective Invention may be a play on the image of a mermaid. If a woman can have fins for legs, why not an inverted version?


Cle de Champs 1931

Portrait of Edward James 1937

Magritte constantly challenged our preconceptions about reality. His works contain extraordinary juxtapositions of ordinary objects or an unusual context that gives new meaning to familiar things. He often used the window frame as a suggestion of the illusion of our senses, for a painting in itself has been traditionally used as a window on some other world- as if we could look through the flat surface of a canvas to a three dimensional reality. The idea of a man looking into a mirror to see the back of his own head also plays upon our normal expectations (the man is the young Edward James, once the world's largest collector of surrealist art, and a friend to Magritte).


Personal Values 1951

Golconde 1953
By altering the scale of objects in his paintings, Magritte's work gives an immediate sense of surreal absurdity. Everyday objects become magical in his painting, Personal Values. InGolconde, Magritte paints himself in endless repetition. In trench coat and bowler cap, he becomes a symbol for "everyman", perhaps commenting on the anonymity of city life. 


Carte Blanche 1965
Empire of the Lights 1954
Magritte constantly challenges our sense of time and space. In Carte Blanch, he manipulates the space so that we have an illusion of a woman and horse who are simultaneously in front of and hidden by trees (even hidden behind the empty space between trees). Empire of the Lights is more subtle in its playfulness. It may take a moment for viewers to realize that the daytime sky does not fit the lighting situation of the night scene below. His cunning creativity places Magritte as one of my favorite artists of all time.


Max Ernst
(German, 1891-1976)

Two Children Frightened By a Nightingale


Max Ernst was one of the founding members of surrealism, who had previously been linked to the dada movement. Born in Germany, he practiced mainly in France, and fled Europe during the occupation of the Nazis (as did Dali and many other artists throughout Europe). During his career,he invented several methods which were instrumental to the surrealists. One new method he explored was "frottage", which involves 
making rubbings of textured surfaces, using the marks as chance starting points for an image. He also invented a similar technique called "decalcomania", which involved painting on glass and then pressing it directly onto the canvas to create a texture. This allowed his subconscious mind to see into the random pattern, thus creating images directly from his imagination, without any preconcieved ideas. His paintings contain an element of magic, and sometimes terror. Two Children Frightened By a Nightingale is one of his most famous images, and perhaps one of the first paintings to ever combine 3-D elements into the 2-dimensional space. The Temptation of St. Anthony is yet another version of an image about the tortured saint. Created just after the end of WWII, I think that it may be also be comment about the monstrousities of war.

Robing of the Bride 1940


Women of Surrealism


Remedios Varo

Frida Kahlo

Leonora Carrington
Though surrealist painters admired women to a degree of near-worship, they were seen more as a muse to their own creativity instead of creative masters in their own right. The three women above were surrealists in every sense of the word, but were not an integral part of the surrealist movement, which was active especially in Paris. All three of these women lived and worked in Mexico, though Kahlo was the only one of the three who was born there. The others escaped from Nazi occupation throughout Europe by traveling to Mexico. They and several other artists began a small tangendental surrealist movement. Their works continue to influence modern painters in Mexico who work in a fantasy-oriented vein.
 
Remedios Varo
(Spanish,1912- 1970)

Exploring Rio Orinico 1959

Solar Music 1955

Remedios Varo, born in Spain,was the daughter of a devout Catholic mother and a scientist father, an atheist. Her mother's mystical leanings fed her supernatural imagination, but her father's emphasis on science and reasoning would have an equal influence on her life and works. Her father gave her lessons in drawing two-point perspective and technical drafting. Ê Her mother enrolled her in a convent school but she fled in 1924. She soon attended an art academy in Madrid, where she met Salvador Dali. She later moved to Paris and developed connections with the surrealists movement there. Ê Although she won their admiration she did not consider herself a Surrealist. Instead of involving chance elements in her compositions, she strove for complete control.
While the Nazis were marching across Europe, she boarded a steamer and embarked on the long voyage to Mexico. It is here that she developes a style which is uniquely her own. She painted fantastic images in which the spiritual is entwined with the scientific as though trying to find the common ground between metaphysical and the machine. ÊIn her final work, Still Life Reviving, she paints a metaphor of the cosmos where fruits represent planets revolving around a candle flame. The fruit splits open and scatter their seeds upon the ground where they sprout as new life and hint of rebirth out of chaos. One month later, Remedios died at the age of 55 of a massive heart attack. She is highly regarded in Mexico (where her numerous retrospectives have drawn record crowds), but remains virtually unknown in the United States and Europe.


Leonora Carrington 
(English, b. 1917)

The Guardian 1950

Dawn Horse (Self Portrait) 1936

Ferret Race 1950

Leonora Carrington was very similar to Varo's in many respects. Born in England to a wealthy family, Leonora learned at a very early age the injustice of society. Since her parents were both very strict Catholics, they sent her away from convent to convent and then to boarding school. The young Leonora was was a debutante, a girl's school rebel and a runaway. After running away from home to become an artist, she met Max Ernst, who left his wife for Carrington. The couple lived together until the outbreak of WWII, when Ernst (a German citizen) was taken prisoner as an enemy alien. She tried in vein to have him released, then suffered a nervous collapse. For a short time she was put in a mental institution (at the order of her family), was given sedative drugs, but soon escaped. She married a friend who protects her from further incarceration. After moving to Mexico, they soon divorce ( the marriage is no longer necessary, but they remain friends). She remarries, has a couple of children, and continues to paint surreal visions combining mythological stories and childhood fantasies. She also wrote incredible, surrealist stories (which later become published and achieve critical acclaim). While in Mexico, she developed a life long-friendship with Remedios Varo. She also befriends Edward James, the eccentric English millionaire who collected her art (he was also the incredible architect of Las Pozas, in the rainforest of Mexico). As far as I know, she is still alive and painting. Like Varo, she is also more famous in Mexico than in America or Europe.


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which also includes works by her social realist husband, Diego Rivera