Friday, 4 November 2011

PASSOS - fenomenologia 1/2

FONTE - ihu
http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=4161&secao=378

PARTE 1/2


Um autor em diálogo com o mundo contemporâneo




Luiz Augusto Passos
~ fotografia de Michèle Sato (2011)

Perseguido junto com Sartre por apoiar a Guerra da Argélia contra a França, Merleau-Ponty tem obra vasta e atual. Luiz Augusto Passos conta quais são as relações entre a fenomenologia do pensador francês e Paulo Freire nos movimentos sociais brasileiros na década de 1980

Por: Márcia Junges

Um autor a ser revisitado e que estabelece diálogos entre diversas correntes filosóficas e científicas. Assim é Merleau-Ponty, assinala o professor Luiz Augusto Passos, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. Esse autor denuncia a pedagogia “adultocêntrica” e que não tem ouvidos e olhos para entender a criança, apontando que os pequenos vivem o mundo nele mergulhados por todos os poros. Merleau-Ponty “cultiva teimosia quase obsessiva de voltar sempre ao início, de fazer perguntas instigantes e de promover tremores de terra nas áreas já pacificadas, na suspeita de que é necessário uma hipercrítica. Nesse sentido, numa época em que se retornam a evidências ‘estabelecidas’ ou à deificação das ‘incertezas’ como caminho e prática individuais ou sociais, é bom revisitar Merleau-Ponty”.
Passos possui graduação em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Nossa Senhora Medianeira, São Paulo; graduação em Teologia pelo Colégio Máximo Cristo Rei, de São Leopoldo, RS; mestrado em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso; doutorado em Educação Pública pela Universidade Federal de Mato Grosso; e doutorado em Educação (Currículo) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atualmente leciona na UFMT e é um dos organizadores do Simpósio Internacional Merleau-Ponty vivo aos 50 anos de sua morte. Percursos ao redor da fenomenologia aos 90 anos do nascimento de Paulo Freire (http://gempo.com.br/portal/), que ocorre de 10 a 12 de novembro nessa universidade. É um dos autores de O eu e o outro na escola: contribuições para incluir a história e a cultura dos povos indígenas na escola (Cuiabá: EdUFMT, 2010) e escreveu Filosofia para educadores(Cuiabá: EdUFMT, 2008). Seu site pessoal é http://gempo.luizaugustopassos.com.br/
Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quais são os maiores motivos para se relembrar Merleau-Ponty 50 anos após sua morte?
Luiz Augusto Passos – Os maiores motivos desta memória é o fato de Merleau-Ponty se constituir num autor que costura consensos no diálogo de distintas correntes filosóficas e científicas. Grandes problemas da humanidade, pelos processos de globalização, se agudizam por tratamentos sempre localizados e parciais, pois são compreendidos como dissociados da rede de interações que compõe a pessoa, as sociedades, o mundo e as questões do universo. Às crises globais respondemos com tratamentos periféricos ou sintomáticos. Buscam-se intervenções eficazes mediante tecnologias de alto impacto exclusivamente voltadas ao mercado. Ignora-se a fragilidade da vida, e as correções produzem um nível de exclusão das sociedades empobrecidas e em situação de vulnerabilidade ambiental. O pretendido progresso impõe a destruição dos meios de vida, de sobrevivência com destruição de padrões ético-políticos, aniquilação das pessoas pela hipertrofia de partidos e de estado, ou o seu contrário, a afirmação do individualismo e absolutização do narcisismo solitário contra processos de solidariedade e convivência. Sobrevive um materialismo prático destituído de espiritualidade pessoal e sem mística; ou o seu contrário grandes corporações religiosas que sobrevivem de sacrifícios humanos, por interesses monopolistas. Mantém-se a diluição dos direitos humanos numa atmosfera de justicialismo vazio. Não será possível a felicidade humana, sem que se afirme a esperança na vida em face da dissociação de nossa condição de seres políticos e voltados à comunicação e à comunhão, encarnado em estruturas políticas. Singulares e únicos, particulares como membros de comunidades específicas, universais não apenas enquanto gênero humano, somos seres planetários em comunhão através de uma relação inextrincável de todos/as com tudo e todos/as com todas as criaturas animadas e inanimadas do universo.

Eu-outro-mundo
Isso corresponde a um programa geral da filosofia de Merleau-Ponty? Absolutamente não. Ele, contudo, jamais ignorou todas essas dimensões em conjunção e se empenhou também em sua vida com todas as questões que dissesse respeito à guerra, ao terror, à desumanização, à hegemonia, à dominação, à emancipação política, à beleza e ética, à diferença cultural. O que ocorre é que Merleau-Ponty examinou e tematizou todas essas coisas da vida, da existência, dando-lhes o estatuto filosófico, tratando-as em sua origem primordial: a indissociabilidade do eu-outro-mundo; do espaço, tempo, da sexualidade. A fenomenologia da percepção registra o equívoco do divórcio entre as polaridades dialéticas pelas quais, diz Merleau-Ponty, todas as filosofias falam de sujeito e objeto, e não raro ou jogam fora o objeto para salvar o sujeito, ou jogam fora o sujeito para garantir a objetividade. Proclama até o fim de que não se neguem as contradições, articulando até o fim os polos contrários, sem eliminar as contradições, trabalhadas na perspectiva da vida.
Adauto Novaes, em entrevista à revista IHU On-Line, menciona uma das contradições que se tenta driblar. Diz ele, “suspeitamos que nosso maior problema, hoje, está no descompasso da relação entre ciência e pensamento”. Ou, para usar os termos do filósofo francês Maurice Merleau-Ponty, no surgimento da rivalidade entre o conhecimento científico e o saber metafísico, entendendo por metafísico “não a construção de conceitos através dos quais tentaríamos tornar menos sensíveis nossos paradoxos”, mas como a experiência de todas as situações da história pessoal e coletiva, “e de todas as ações que, assumindo-as, as transformem em razão”. A conclusão de Merleau-Ponty no ensaio O Metafísico no Homem define bem nossa condição, hoje: “Uma ciência sem filosofia não saberia dizer literalmente do que fala; uma filosofia sem exploração metódica dos fenômenos só chegaria a verdades formais, isto é, a erros”. Estas são algumas razões que norteiam o evento da UFMT: retomar o caminho difícil de explicitar as ambiguidades, difundir a literatura do filósofo francês, torná-la inspiração teórico-metodológica das pesquisas, e responder ao interesse de professores, mestrandos, doutorandos, professores das redes públicas e particulares.

Grandes narrativas
Relembro, ainda, uma avaliação de Creusa Capalbo, companheira de estudos do professor Antonio Joaquim Severino, na Universidade Católica da Bélgica, que foi uma das primeiras brasileiras, junto com Joel Martins, a estudar com afinco a fenomenologia de Husserl e Merleau-Ponty. Antonio Joaquim Severino trará da Bélgica também o apreço acerca da obra de Emmanuel Mounier, que se inspirava na fenomenologia de Husserl, e é sobre Mounier que Severino fará sua tese doutoral na PUC-SP. Pode parecer às pessoas que possuam menos contato com a obra de Merleau-Ponty que ela seja uma obra superada ou secundária.
É preciso lembrar que a professora Marilena Chauí produziu sua tese na Sorbonne sobre as anotações desse autor, nos últimos anos de sua existência, quando ministrava aulas no Collège de France. E nesse lugar Merleau-Ponty produziu um projeto ambicioso de revisão em todas as áreas da filosofia com reverberações para todo o conjunto das ciências a partir de balisas inéditas, e quais delas “dariam o que pensar”, menciona Chauí. Seu diálogo era um diálogo com o mundo contemporâneo. Ora, a fenomenologia sempre quis ser um âmbito de interlocução entre os múltiplos olhares das ciências e das filosofias. O plural que uso é imprescindível, posto que o fato de haver algum meio de campo consensual nessas ciências e nas filosofias, mas nenhuma das duas deve ser reduzir ao campo do consenso.
Penso que não se possa e não se deva restringir conhecimentos, saberes, às grandes narrativas, que pretendiam englobar em visões sistêmicas e orgânicas uma visão de mundo que pretendesse dar conta de tudo. Merleau-Ponty abriu um diálogo ampliado com as posições filosóficas clássicas, o positivismo e o idealismo; debruçou-se também sobre a tradição existencialista e marxista, com as ciências humanas de modo geral: psicologia, pedagogia, antropologia, psicanálise, psiquiatria, ciências políticas, ética, dimensões da guerra, da violência, do terror, do reconhecimento. Isso tornou possível a busca de cotejar diferenças, buscando reiteradamente trazer às luzes invisibilidades e promover um conjunto de dimensões que permitissem evitar escolha entre a produção das ciências e aquela das filosofias.

IHU On-Line – Por que sua obra é inspiração crescente para todas as áreas do conhecimento?
Luiz Augusto Passos – Merleau-Ponty possui – vou utilizar a expressão do nosso poeta maior mato-grossense Manoel de Barros – uma ampliada noção dos (des-) limites do conhecimento humano e da produção da cultura e das ciências. Cultura e ciência ficaram empobrecidas quando se fecharam em dogmas, definitivos e conclusivos, sob pretensos saberes que delimitam a região do “conhecimento competente”, reservando, como sugere Marilena Chauí, áreas circunscritas para os discursos desautorizados. Merleau-Ponty, a cada achado, debruçava-se outra vez a perguntar pelo “fundo de silêncio que recorta as palavras”. Cultiva teimosia quase obsessiva de voltar sempre ao início, de fazer perguntas instigantes e de promover tremores de terra nas áreas já pacificadas, na suspeita de que é necessário uma hipercrítica. Nesse sentido, numa época em que se retornam a evidências “estabelecidas” ou à deificação das “incertezas” como caminho e prática individuais ou sociais, é bom revisitar Merleau-Ponty.

Incapacidade de sínteses
Ele se situa numa conexão pouco visível, na interface entre o moderno clássico e o pós-moderno: dialoga com Descartes, Kant e Hegel; com Marx, Scheller, Freud e Kafka; com Mauss e Lévi-Strauss; com Nietzsche, Foucault e Derrida. Inaugurou áreas de estudos pré-anunciadas por suas teorias que receberam confirmações de importantes descobertas, o circuito da sinestesia corporal, a aprendizagem corporeidade, a transcendência cotidiana; da impossibilidade de ver figura-fundo (a mulher idosa não poderá jamais ser percebida, ao mesmo tempo, com a moça): testemunha nossa incapacidade de síntese: a “fé perceptiva” sobre o outro lado do cubo que não vemos e dizemos que está lá. Percepções corporais vividas produzem um conhecimento do mundo mais adequado, por vezes, que aqueles das ciências modernas.
Meu filho Matheus tinha menos de vinte dias, eu assobiava e via a atenção quase estática como ele me observava. De súbito, cada vez que eu assobiava ele produzia um biquinho como se fosse imitar. Minha mulher dissera que era impressão minha. Comecei a assobiar e ele se encantou por ver a comunicação que havia entre ele e eu. O professor Di Clemente[3] (Grupo de Estudos, Educação & Merleau-Ponty – Gempo/UFMT) menciona a existência, em Merleau-Ponty, do que se pode chamar um “cérebro” antes do cérebro. Os progressos na neurociência, na saúde, no urbanismo, na estética têm partido de contribuições significativas.

IHU On-Line – Quais são as principais contribuições desse pensador para a filosofia, em específico à fenomenologia e à educação?
Luiz Augusto Passos – Convocávamos nosso encontro falando da existência de fissuras, mas talvez se expresse melhor por alguns abalos sísmicos nas ciências contemporâneas, causados por Merleau-Ponty. Ele contribuiu para alguns consensos, pelo rigor, precisão e linguagem poético-literária que o ajuda a criar conceitos adequados à compreensão dos fenômenos. Ora, as ciências contemporâneas, obcecadas com o fato de que algumas coisas vão mal, trabalham compulsivamente para evitar o naufrágio. O que ocorrerá, caso não forem revistas algumas inadequações acerca da compreensão do mundo, do ser humano, das relações nossas com os/as outros/as e com o mundo? Muitos aspectos da fenomenologia merleau-pontyana não causaram ainda o imprescindível “espanto aristotélico”, essencial para a crítica de paradigmas, das pesquisas. Vou sair de generalidade e exemplificar, avisando que me aventuro, sem a intenção de que se ponha Merleau-Ponty nisso.
Piaget está imortalizado na coleção Os pensadores, como filósofo, irritado com textos de Merleau-Ponty que dificultavam alguns princípios da epistemologia genética. O ponto de discórdia desencadeador era o texto Em toda a parte e em parte alguma, pelo qual Merleau-Ponty contrapõe o devir e o tornar-se, e a localização, como processo vivo. Assim o autor comenta que a filosofia está em todo lugar e em lugar algum, tanto quanto a vida estava em todo lugar e em lugar nenhum, não havia um local estático, um cérebro, que desse conta da abrangência da produção do conhecimento que passava pela sinestesia de cada um e de todos os sentidos em simultaneidade, produzindo significações, que implicavam num conhecimento sensível, do qual inclusive Merleau-Ponty sugeria a necessidade de reaprender a ver um mundo impossível de se explicar, e que fugia e se recolhia em dobras, envolto em mistério.

Adultocentrismo
Piaget não ignorou Merleau-Ponty. Leu-o e respondeu desautorizando que isso fosse falado em nome da ciência, entendendo na aporia de “em toda parte e em parte alguma” como licença poética absurda, antirracional, que poderia até atribuir-se a uma sabedoria de senso comum, mas não ao conhecimento das ciências. Merleau-Ponty está longe de ser considerado, por sua complexidade, na grande maioria dos cursos de psicologia e pedagogia. Sua obra A pedagogia e a psicologia da criança denuncia a pedagogia como “adultocêntrica”. Há uma forma prepotente e injusta dos pressupostos do desenvolvimento do conhecimento da criança, que a maltrata e, sobretudo, a ignora. A criança vive o mundo, mergulhada por todos os poros nele, numa relação visceral, intuitiva, cheia de significados, sem que nos seus primeiros anos possa concebê-lo e expressá-lo como “objeto” do pensamento. Cada um de nós viveu isso. Somos capazes de vivê-lo com intensidade e de compreendê-lo sensorial e intuitivamente, um mundo mais verdadeiro do que aquele expresso pela razão moderna.
A epistemologia genética tem sido preferencialmente o modelo tanto da pedagogia como da psicologia, que se difunde sem considerar a crítica do Merleau-Ponty. Há na epistemologia genética um sutil etnocentrismo alimentado por um evolucionismo linear – duramente atacado por Hobsbawm em seu prefácio às Formações pré-capitalistas de Marx e Engels. Tese de que a humanidade e os sujeitos humanos são estrutural e substancialmente os mesmos; a diferença cultural com distâncias astronômicas de um grupo humano para outro mostra – na expressão de Clifford Geertz – “fósseis humanos” ainda contemporâneos que sobrevivem nas sociedades sem estado, de sorte que essa condição ‘primitiva’ mostra a nós que eles hoje são o que éramos ontem. Do outro lado estamos nós, no plano civilizatório cultural mais complexo. No mais alto patamar de desenvolvimento, obtido pela superioridade do pensamento abstrato, lógico-matemático, que permitiu às sociedades capitalistas, brancas, criar esta sociedade que representa a melhor humanidade possível à qual todas as outras sociedades (atrasadas) deveriam ser estimuladas a diminuir a diferença através de processos tecnológicos de impacto, em curto prazo, acelerado diminuir as distâncias, posto que todas as sociedades estão destinadas universalmente a esse desenvolvimento, por justiça.

Pedagogia sem ouvidos
Isso legitimaria, diz Hobsbawn, a intervenção do grupo em condições de superioridade de justificar intervenções por meio de aceleração qualificada, para fazê-lo amanhã o que somos nós hoje, permitindo-os o desenvolvimento máximo acenado aos humanos, os moldes da civilização ocidental. Isso se chama, no melhor português, assimilação! Perversão do nosso autoconhecimento que nega efetivamente o outro como o outro, e busca homogeneizar não os reconhecendo como humanidades universais, mas, ao mesmo tempo, diversas. Merleau-Ponty diz na Fenomenologia da percepção sobre o tempo o que se poderia dizer em todos os outros âmbitos: “Há mais verdade nas personificações míticas do tempo do que na noção de tempo considerado, à maneira científica, como uma variável da natureza em si ou, à maneira kantiana, (...) isso porque enfim há no coração do tempo um olhar, ou (...) alguém para quem a palavra possa ter sentido”.
Professor Fabio Di Clemente, no seminário “Corpo Carne e Ser” que nos ministrava, comentava a severa crítica feita por Merleau-Ponty quando perante um desenho uma criança que expressara a imagem de sua mãe, e a proporção da lágrima excedia em espaço, o desenho. Para Piaget tratava-se de uma incapacidade e falta de maturidade para expressar a harmonia da proporção objetiva do conjunto que se apresentava no real; para Merleau-Ponty era por excesso de entendimento; a leitura preponderante naquela cena era expressa pelo que interessava agora: o sofrimento da mãe. Ela se atinha ao essencial colhido por sua percepção.
Merleau-Ponty censura uma pedagogia que não tem ouvidos, olhos para entender a criança, e tem dela os estereótipos gerados por uma cultura tutelar, autoritária que pretende saber e oprime a diferença concebendo-a, como expressara Dussel, que considera os oprimidos como exterioridade, apêndice e adereço de mau gosto, destituídos de centralidade, entendimento e interioridade.
Merleau-Ponty, ao tratar ainda, o outro, denuncia o processo excludente e ratifica essa dimensão em suas críticas deMauss a Lévi-Strauss, cujo olhar datado da modernidade não tem consciência de que seu olhar datado invisibiliza o que ela própria não pode e não quer ver. Além disso, reduz as outras sociedades pela transposição da epistemologia moderna, cientificista, de reduzir o desconhecido ao conhecido, de tomar emprestado o modelo das ciências da natureza e das suas sociedades para uma leitura contrastante e comparativa – não se comparam sem injustiça coisas diferentes! – impedidas de reconhecer o outro por ele mesmo, e olhá-lo como dependente, tutelado e “menor”. Não era raro afirmar que os nativos fazem rituais e conduzem cerimônias com alta densidade simbólica, mas precisam recorrer ao antropólogo para dizer-lhes o que estão mesmo fazendo. Reduz-se, assim, as sociedades à mesmidade, e como negativo e faltante nelas, daquilo que possuímos em excesso.

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