Wednesday, 7 September 2011

militância e ativismo 6/6

PARTE 6/6
Militância e Ativismo
Felipe Corrêa


O “colonialismo ativista”, a classe média se dando bem e o porque da militância

O modelo ativista, em alguns aspectos, pode até se justificar em alguns países do chamado primeiro mundo. Mas este tipo de prática vem sendo importada por parcelas do chamado “movimento anti-globalização” sem nenhuma adequação à nossa realidade. O que somente prova que boa parte de nossa juventude, apesar do discurso anti-EUA, anti-Bush, segue tendo uma cabeça muito colonizada. Como se já não bastassem modas de fora, bandas e letras feitas em inglês, convivemos agora com movimentos importados, é o imperialismo ativista, que acha possível se deitar pacificamente no chão numa manifestação de rua em São Paulo: a pedagogia das borrrachadas e as marcas nos corpos lembraram aos nossos “europeus”, tomados pelo “espírito de Seatlle” que vivemos no Brasil.

Existe uma infinidade de organizações populares no campo e na cidade, uma outra infinidade de problemas sociais existentes onde ainda se pode trabalhar. Afastar-se de todos eles sob a desculpa esfarrapada de que são hierárquicos, institucionais, de que tem problemas, etc é o mesmo que dizer: “eu só atuo onde tudo for libertário, autônomo”. Mas neste caso para que atuar? É uma posição muito cômoda e conformista, não nos envolvermos com nada além de nós. É quase a escolha de atuar por prazer, naquilo que gosto, naquilo que nada me exige além do que eu estou acostumado a fazer, atuar onde estão os meus iguais, minha turma, meus amigos, sem gente diferente, estranha, com outros gostos.

Na verdade, é triste reconhecer isso, boa parte dos ativistas são elementos da classe média com alguma dose de remorso pela situação social da qual se beneficiam e que desejam fazer algo. Mas esse algo tem quer ser agradável, fácil, não exigir sacrifícios, muita dedicação ou convivência com este “estranho povo”. Muitos sabem que isso não dará em nada, e hoje em dia já há quem viva destes movimentos quase mortos. Vídeos, livros, artigos, palestras e entrevistas na TV fazem muito bem ao ego dos nossos “dirigentes anti-globalização”. Lamentável? Certamente, mas ambição e personalismo se encontram aos montes por aí, não apenas entre os burgueses, mas amiúde entre os nossos ativistas.

Para nós, as disparidades existentes entre a militância anarquista e a dinâmica ativista são gritantes e é por isso que optamos e propomos a atuação da organização anarquista nos movimentos sociais de nossa gente, contribuindo sempre para que sejam combativos e estejam organizados de forma horizontal e que num futuro, não muito distante, esperamos, dêem origem aos legítimos organismos de poder popular em oposição ao poder burguês do Estado e do capital.

CORREA, FELIPE. Militância e anarquismo. Boletim Combate Anarquista, n. 37 e 38, julho/agosto. 2004. Disponível em http://www.anarkismo.net/article/19915 [download] – 07/09/2011.




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